Crédito e pandemia: hora de negociação, transparência e integridade dos dados

Por Elias Sfeir
Presidente Executivo-ANBC e Conselheiro Certificado-Promovendo a Disciplina de Crédito e Governança Corporativa-Brasil

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Sem precedentes na história, a pandemia de COVID-19 alterou de maneira abrupta a vida de todo o mundo, criando uma nova realidade global. No momento em que o isolamento social e a consequente diminuição da atividade econômica criam situações cujos desdobramentos são impossíveis prever, medidas de cunho social, sanitário e financeiro são anunciadas com o objetivo de mitigar os efeitos do coronavírus.

Crédito E Pandemia

Nesse cenário, os birôs têm um papel fundamental na disciplina do crédito, indispensável para reconectar a economia. Para isso, o setor trabalha fortemente a fim de proteger consumidores e empresas dos impactos que o período possa eventualmente acarretar a seus históricos de crédito. Para isso, negociação, transparência e integridade dos dados são fundamentais.

Assim, pessoas físicas e jurídicas preocupadas com sua situação financeira devem entrar em contato com seus credores para dialogar. Aqui é importante salientar que os birôs de crédito fazem parte do processo de crédito como uma central de informações, não tendo participação efetiva na concessão e na cobrança. Ou seja, não podem suspender os pagamentos ou renegociar. O papel fundamental dos birôs de crédito é contribuir para o acesso responsável ao crédito e para a estabilidade financeira necessária à proteção de mutuários, credores e a sociedade como um todo.

Portanto, é crucial para credores, consumidores, economia e bem-estar social que as informações contidas nos bancos de dados dos birôs de crédito sejam tão abrangentes – incluindo as de aspecto positivo e negativo -, atuais e precisas quanto possível. Isso é extremamente importante em tempos normais e também em períodos excepcionais e desafiadores, como o que vivemos atualmente.

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A integridade dos dados é fundamental para prover avaliações de crédito mais justas, que devem se basear em informações completas, incluindo identificação de operações impactadas pelo estado de calamidade pública devido à COVID-19.

Neste momento, os birôs de crédito estão trabalhando com os credores para garantir que as decisões que afetam o cronograma de pagamentos e negativações de indivíduos, comerciantes únicos ou PMEs sejam adequadamente relatadas, identificadas e registradas no arquivo de cada mutuário, proporcionando uma avaliação mais justa de crédito.

O setor aponta, assim, que uma eventual supressão no envio/bloqueio no uso de dados relevantes para avaliação do crédito afetará a transparência nas relações credor e tomador de crédito, gerando insegurança na avaliação de crédito. Essa insegurança prejudica os consumidores, empresas e o sistema de crédito como um todo, que se baseia em informações precisas e atuais, limitando o acesso, impactando negativamente as condições de crédito, aumentando a inadimplência e impulsionando o superendividamento.

Além disso, vale lembrar, pessoas físicas e jurídicas têm o direito e devem se manter atualizadas sobre seu histórico de crédito, que pode ser acessado de forma gratuita em qualquer um dos canais digitais dos birôs de crédito. Consulte artigo recente (“Por dentro da nota de crédito”) que escrevi sobre isso.

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