Você conhece o crédito orientado?

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O acesso a capital de giro e a recursos para investimentos é crucial para manter uma empresa de pé e viabilizar seu crescimento ao longo do tempo. O capital transforma a ideia do negócio em operação, gerando fluxo de receitas futuras e também empregos. No entanto, nada disso ocorre como mágica: na ausência de uma boa gestão do negócio, tanto na frente operacional quanto na frente administrativa, recursos concedidos na forma de crédito se perdem, transformando-se em prejuízo e dívidas.

crédito orientadoEsse é um risco inerente ao financiamento da atividade empresarial, pois é impossível saber de antemão se uma ideia de negócio irá prosperar. Esse risco pode ser reduzido, no entanto, com uma boa análise de crédito e, do outro lado do balcão, com uma boa gestão da empresa. O micro e pequeno empresário, em geral, tende a se concentrar na frente operacional do negócio. Mas isso faz parte: é preciso dedicar tempo para essa outra frente do negócio também.

E se, além da avaliação, a concessão de crédito for condicionada à participação em programas de capacitação voltados para melhorar as práticas administrativas? Essa iniciativa aliaria o acesso a recursos financeiros com o incentivo às boas práticas de gestão. Você já ouviu falar de algo parecido?

Essa é a proposta do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO), instituído em 2005 para financiar e apoiar empreendimentos populares. Recentemente, em 2018, esse programa foi aprimorado para facilitar o acesso dos microempreendedores ao crédito, ampliando os limites de faturamento para enquadramento no programa e instituindo a possibilidade de orientação a distância.

A orientação é o grande diferencial do programa, que se propõe a aconselhar os empreendedores sobre como gerenciar os recursos destinados ao seu negócio, como realizar um planejamento e como avaliar a necessidade de crédito, objetivando melhor rentabilização do dinheiro aplicado no negócio. O programa prevê que o assessoramento seja feito por profissionais treinados.

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As operações de crédito orientado podem ser realizadas com a intermediação de bancos comerciais públicos e privados, agências de fomento, cooperativas e fintechs, entre outras entidades. Essa diversidade de opções é importante para que o microcrédito alcance as regiões mais remotas do país, justamente onde há mais necessidade de financiamento e de orientação.

O volume dessas operações pode parecer de pequeno alcance, mas é importante sempre ter em mente que o nosso país, de dimensão continental, comporta diversas realidades. Existe a empresa com área estruturada para a captação de recursos; e existe o microempreendedor que talvez, mal tenha relacionamento bancário. Ambos podem necessitar de crédito. Mas, no caso do pequeno empresário, a orientação pode ser tão decisiva para a sobrevivência do negócio, quanto problemas decorrentes da falta de acesso ao crédito.

Outro aspecto importante do crédito orientado é a atenção dada aos empreendedores informais, com menos acesso às linhas de crédito convencionais. Para esses empreendedores, o desenvolvimento do negócio possibilitado pelo aporte financeiro e pela orientação pode ser a porta de entrada para a economia formal.

Uma nota divulgada pela Secretaria de Política Econômica (SPE) informa que, em 2020, mais de R$12 bilhões foram concedidos em operações de crédito por meio do PNMPO (Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado). Dados do Relatório de Economia Bancária do Banco Central mostram ainda que a inadimplência registrada no programa (2,4% em 2020) ficou próxima da observada no Sistema Financeiro Nacional (2,1%), o que, segundo o relatório, sugere a eficácia do programa.

O desenvolvimento dos pequenos empreendimentos significa geração de emprego e renda, essenciais ao desenvolvimento econômico do país. Ciente da importância dessa orientação para os pequenos e microempresários, o setor de birôs de crédito disponibiliza uma série de conteúdos, em diversos formatos, sobre gestão financeira, utilização de crédito e cobrança. O setor também tem levantado a bandeira da inclusão financeira de MPEs, de modo a ampliar seu acesso a produtos e serviços financeiros, sempre ressaltando a importância do uso consciente e planejado desses recursos.

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