Banking as a Service

“Banking as a Service” e a multiplicação dos serviços financeiros

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No dia 12 de abril, tive o privilégio  de mediar um painel cujo tema era “Banking as a Service (BaaS) e Inteligência Artificial” na terceira edição do Digital Money Meeting. Neste artigo, faço o resumo de insights colhidos na discussão e mostro como esses temas estão conectados às transformações do sistema financeiro e do mercado de crédito, sobre as quais temos falado com alguma frequência neste espaço.

Nos últimos anos, as chamadas contas digitais ganharam espaço no mercado de serviços financeiros e passaram a ser ofertadas por empresas de diversos setores. Antes disso, já era comum empresas de varejo oferecerem cartões de crédito com sua marca – os chamados private label – aos seus clientes.

Para os varejistas, esses cartões abriram a possibilidade de venda a consumidores sem utilizar os meios tradicionais repassando o risco do crédito; para as instituições financeiras, abriram a possibilidade de conquistar novas fatias do mercado e testar novas linhas de negócios. Os cartões foram, no entanto, só a primeira forma do BaaS. A chegada das instituições de pagamento e a tendência à digitalização ampliaram significativamente as possibilidades dessa indústria.

Banking as a Service é o nome dado às plataformas que oferecem a infraestrutura necessária para que empresas de diversos setores disponibilizem serviços financeiros, sem que deixem sua atividade principal de lado. Nesse modelo, uma empresa pode oferecer à sua base de clientes serviços até então típicos de bancos ou instituições de pagamento e acoplar as soluções financeiras à sua atividade-fim, aumentando dessa forma suas possibilidades de receita.

Anteriormente, uma organização que pretendesse entrar no segmento financeiro teria que montar toda a estrutura tecnológica e, mais do que isso, adequar-se a todas as demandas regulatórias para atuar nesse setor. Com a “servitização” da atividade de Banking, esse caminho pode ser encurtado por meio de empresas especializadas responsáveis pela infraestrutura tecnológica e que contam com a licença regulatória.

Isso foi possível graças ao desenvolvimento tecnológico experimentado nos últimos anos e ao incentivo regulatório à concorrência bancária observado no Brasil, sobretudo na última década. A crescente adesão dos consumidores à digitalização dos serviços financeiros – algo impulsionado pela pandemia – é um aspecto psicossocial igualmente relevante para viabilizar essa nova forma de oferta dos serviços financeiros, já que a estrutura bancária presencial impõe custos proibitivos à entrada de novos atores. Na linha de frente de novidades como o Open Finance, e com o grande esforço regulatório recente, o Brasil é visto como um mercado promissor para o desenvolvimento do BaaS.

Olhando para o futuro, o painel também discutiu os benefícios que a Inteligência Artificial pode levar ao setor financeiro, como a otimização dos processos de toda essa indústria, gerando ganhos de eficiência, além de permitir que as instituições conheçam mais seus clientes, oferecendo soluções mais customizadas. Paralelamente a seus benefícios, no entanto, houve o alerta para a importância de avaliar com cuidado o uso da Inteligência Artificial, tendo sempre em mente a preocupação com a ética.

Nas projeções quanto à evolução do BaaS merecem destaque os serviços de investimento, de oferta de operações de crédito e de avaliação de capacidade de pagamentos, onde os birôs de crédito acumulam grande expertise. E houve consenso de que o ecossistema financeiro antes da pandemia mostraria um quadro muito diferente do atual. Discussões que faziam sentido há uma década foram diluídas pelo avanço tecnológico e regulatório. Esse é um processo que seguirá mudando fortemente, e a Inteligência Artificial já mostrou que será um importante vetor de disrupção.

Para finalizar, meus agradecimentos aos participantes do painel que promoveram reflexões de altíssimo nível, com grande interesse da audiência. Obrigado, Pedro Bramont (Banco do Brasil), Felipe Carvalho da Silva (Banco Inter), Thiago Zaninotti (Celcoin) e Miriam Aquino (Momento Editorial).

Obrigado pela leitura! Acesse outros conteúdos na página da ANBC.

 

elias sfeir

 

Por: Elias Sfeir Presidente da ANBC & Membro do Conselho Climático da Cidade de São Paulo & Conselheiro Certificado

 

 

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