inadimplência entre empresas

A inadimplência entre empresas avança

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A inadimplência tem crescido, tanto entre pessoas físicas quanto jurídicas. Em novembro de 2025, os birôs de crédito registraram 8,9 milhões de empresas negativadas, um aumento de 27,3% em relação ao ano anterior. Trata-se de um movimento que acende alertas: por que tantos negócios, de diferentes portes e setores, estão enfrentando dificuldades ao mesmo tempo? E o que isso significa para o desenvolvimento econômico, a competitividade e a inclusão financeira?

As estatísticas do Banco Central do Brasil, que consideram apenas os atrasos com mais de 90 dias em empréstimos e financiamentos feitos pelo Sistema Financeiro Nacional (SFN), apontam a mesma tendência notada nos dados do setor dos birôs. De acordo com o BCB, a taxa de inadimplência de empresas encerrou 2025 em 3,2%. Em dezembro de 2024, essa taxa foi de 2,5%.

Se as famílias buscam recursos para antecipar o consumo e outras necessidades, as empresas buscam para fazer o negócio girar ou promover expansão e melhorias. No primeiro caso, a inadimplência pode resultar de choques de renda (por exemplo, o desemprego), gastos inesperados ou mesmo do acúmulo de compras impulsivas. No segundo caso, as causas são mais variadas e podem refletir desaceleração econômica, mudanças de mercado, como o aumento da concorrência, e problemas de gestão do fluxo de caixa.

Quando a empresa utiliza empréstimos e financiamentos para giro, a inadimplência torna-se ainda mais desafiadora porque o crédito oxigena o negócio; é questão de sobrevivência. Nesses casos, restrições de acesso ao crédito podem comprometer a geração de receitas, agravando o problema de liquidez da empresa.

Diagnosticar as razões do desequilíbrio financeiro é o primeiro passo para a recuperar o crédito: são razões de mercado ou de gestão financeira? Mudanças de mercado podem exigir a busca por novos clientes e a adaptação do portfólio. Já os problemas de gestão normalmente requerem a revisão de custos, estoque, da política de cobranças (nesse caso, da empresa enquanto credora) e a reprecificação dos produtos e serviços.

Feito o diagnóstico, a avaliação do perfil e do custo dos empréstimos e financiamentos ajuda a identificar se a empresa tem buscado linhas de crédito alinhadas com as suas necessidades. No segmento de pessoas jurídicas, as taxas de juros variam consideravelmente entre as modalidades. Aqui se compara duas modalidades: o cheque especial, com taxa média de 356% ao ano, de acordo com dados do Banco Central, e as operações de antecipação de duplicatas e recebíveis, com taxa média de 35,2% ao ano. Além dessas, há diversas outras modalidades, como o cartão de crédito empresarial, contas garantidas, capital de giro, crédito rural, entre outras. A escolha mais adequada deve levar em conta a finalidade do empréstimo, o prazo de pagamento e a avaliação de custo, ou seja, da taxa de juros. Outro ponto importante é avaliar a capacidade de pagar o empréstimo.

Para casos mais graves de insolvência, o Brasil conta com o arcabouço jurídico da Lei de Recuperação de Empresas, de 2005, que disciplinou a recuperação judicial, extrajudicial e a falência de empresas, substituindo a antiga concordata. Os processos de recuperação de empresas buscam soluções negociadas entre devedores e credores, tendo como objetivo a continuidade das atividades empresariais.

A recuperação financeira causa impacto além da própria empresa e aos credores. Isso porque os processos de falência implicam a perda empregos, do “know how” desenvolvido pela empresa e a economia local. No entanto, é preciso ir além da recuperação de crédito e se planejar antecipadamente. Nesse sentido, é importante estimular um planejamento detalhado na busca de recursos assim como gestão efetiva do fluxo de caixa para absorver o impacto do empréstimo.

O mercado de crédito brasileiro dispõe de mecanismos que premiam a pontualidade nos pagamentos e aqui mora uma grande oportunidade para as empresas que captam recursos. Por meio de instrumentos como a nota de crédito, a construção de uma boa reputação financeira resulta em condições de crédito mais justas, que refletem a capacidade de solvência da empresa. Em tempos de juros elevados, isso pode ser considerado um diferencial competitivo.

 

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elias sfeir

 

Por: Elias Sfeir Presidente da ANBC & Membro do Conselho Climático da Cidade de São Paulo & Conselheiro Certificado

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