PIX e os seus impactos no crédito

Fonte: https://www.digitalmoneyinform.com.br/
Por Elias Sfeir 

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Em apenas uma semana, o Banco Central deu início ao Pix Cobrança e colocou em consulta pública a proposta de criação do Pix Saque e do Pix Troco. Mais recentemente, anunciou um mecanismo que padroniza as regras e os procedimentos para  devolução de valores em caso de suspeita de fraude ou falha operacional nos sistemas das instituições envolvidas na transação. Essas são novas etapas de consolidação do sistema de pagamento instantâneo no mercado brasileiro, sempre com o objetivo de oferecer mais conveniência aos usuários e estimular a competição.

Desde o lançamento da Agenda BC#, o BC vem implementando uma série de iniciativas, como o Pix, para acelerar o desenvolvimento do sistema financeiro brasileiro. No mercado de crédito, por exemplo, nasceram as Empresas Simples de Crédito (ESC), o novo Cadastro Positivo consolidou-se e as fintechs entraram firmes para conquistar seu espaço. Paralelamente, caminha-se com a implantação das primeiras fases do Open Banking, ou sistema financeiro aberto.

E o Pix foi um sucesso. Desde março, responde pela maior parte das transações realizadas no país. Segundo dados do BC, usuários de Pix movimentaram até agora mais de R$ 1 trilhão. Até junho, tinham sido contabilizadas 254,3 milhões de chaves de acesso. Desse total, 243,9 milhões foram cadastradas por pessoas físicas, e 10,4 milhões por empresas. Ainda segundo o BC, cerca de 73 milhões de brasileiros já realizaram transações via Pix, o que equivale a 46% da população adulta do Brasil.

Esse sucesso deveu-se, de um lado, à postura do BC, que foi bem rígida quanto aos prazos e condições de implantação do projeto. De outro, às instituições financeiras, que investiram pesadamente para que as pessoas aderissem ao Pix, porque, além de oferecer o serviço para quem já era cliente de banco, abria a possibilidade de se conquistar novos clientes entre os desbancarizados.

O estímulo à bancarização de consumidores brasileiros e de tantas outras pessoas jurídicas sem conta bancária é um dos destaques do Pix. Na pessoa física, ele já mostrou sua força, mas falta mostrar sua capacidade de inclusão financeira de pequenos negócios, atualmente fora do sistema de pagamentos.

Na verdade, essa expansão entre as pessoas jurídicas depende de uma iniciativa esperada ainda para este segundo semestre: o Pix  Garantido, que possibilita agendamento de pagamentos e parcelamentos. Com isso, transações que ocorrem no cartão de crédito, como compras no varejo, poderão ser realizadas pelo Pix, que, ao viabilizar o parcelamento no futuro, torna-se uma modalidade de crédito.

Com essa proposta de parcelamento, o Pix Garantido deve impulsionar os serviços de avaliação de crédito e prevenção a fraudes realizados pelos birôs gerenciadores do banco de dados do Cadastro Positivo.

Com o uso da nota de crédito, os varejistas terão condições de avaliar, nas transações via Pix, a situação de adimplência dos consumidores atuais e também dos que estão fora do sistema financeiro. Com isso, diminui o risco do crédito para o varejista, enquanto o consumidor tem a oportunidade de adquirir produtos de maior valor, como eletroeletrônicos, eletrodomésticos e até passagens aéreas.

Hoje os bancos estão acostumados a trabalhar com fraudes de cartões de crédito e de meios de pagamentos tradicionais. Mas o Pix é uma modalidade diferente, uma plataforma com muita coisa aberta, que vai necessitar do recurso dos birôs para prevenção à fraude nas transações.

Por enquanto, o Pix ainda interfere pouco no mercado de crédito, mas com a modalidade de parcelamento, a médio e longo prazo isso irá acontecer, principalmente com a adesão de pessoas jurídicas, que ainda desconhecem seus benefícios. Nesse momento, a facilidade do Pix e a fluidez que ela vai trazer ao mercado serão evidentes.

No e-commerce por exemplo, que hoje utiliza cartão de crédito e boleto, quem tiver um QR code gera um Pix, já recebe na hora, destrava a entrega do produto, o fornecedor e distribuidor também recebem mais rápido e todo o processo é acelerado. Essa fluidez é uma característica do Pix, que faz com que as coisas rodem mais rápido.

Cerca de 50 países já possuem ou estão em vias de implantar um modelo de pagamentos instantâneos. Os mais conhecidos são os sistemas da Índia e do Reino Unido. O indiano, por atender à imensa parcela desbancarizada da população. O do Reino Unido, devido ao grande volume de transações que passam por ele.

No Brasil, pela velocidade de adesão da população e pelo volume de transações, o Pix certamente coloca-se entre os mais bem-sucedidos no mundo, incentivando um novo canal de crédito que impactará positivamente a economia e irá proporcionar bem-estar social.

 

*Elias Sfeir é presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC)