Situação financeira das famílias e desempenho das empresas reforçam confiança e ampliam a relevância econômica da região
A Região Sul vive um período de forte dinamismo no mercado de crédito, revelando um ambiente financeiro positivo e com sinais de vitalidade tanto entre consumidores quanto entre empresas. Segundo a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), os três estados sulistas seguem em trajetória de expansão e fortalecimento de sua capacidade de financiamento.
Para a pessoa física, de acordo com dados do Banco Central e da própria entidade, o saldo de crédito avança em ritmo expressivo. O Brasil registra crescimento de 10,96%, enquanto o Sul apresenta desempenho muito próximo disso, com 10,47%. Dentro da região, Santa Catarina se destaca com expansão de 12,13%, apoiada por um ecossistema econômico dinâmico e elevado grau de organização financeira das famílias. Paraná e Rio Grande do Sul também ampliam o saldo, com 10,13% e 9,75%, fortalecendo o consumo e apoiando o investimento em diversos setores.
Já entre empresas, o Sul mantém trajetória de evolução. O saldo de crédito corporativo cresce 8,57% na região, acompanhando o impulso nacional de 8,70%. O Rio Grande do Sul lidera com avanço de 14,31%, impulsionado por operações de financiamento que estimulam a atividade produtiva e a consolidação de investimentos estratégicos. Paraná e Santa Catarina apresentam ampliações consistentes, que contribuem para um ambiente empresarial sólido e com ampla capacidade de renovação.
A qualidade do crédito das famílias mostra fundamentos importantes para a continuidade desse ciclo. A parcela de consumidores com compromissos financeiros em aberto permanece em níveis administráveis na região, muito abaixo do patamar brasileiro, o que evidencia maturidade no uso do crédito e gestão responsável das obrigações. Santa Catarina apresenta o índice mais favorável, seguido de Paraná e Rio Grande do Sul. Além disso, o valor médio das dívidas registra níveis superiores à média nacional, o que tende a refletir mercados com maior renda, operações mais qualificadas e consumidores com perfil de consumo estruturado.
Em relação às empresas, os números reforçam o tamanho e a importância da base produtiva do Sul. A região reúne 1,3 milhão de companhias com compromissos registrados, em um universo nacional de 8,1 milhões, com valor médio por operação na casa dos R$ 30 mil (acima da média do país), demonstrando estruturas empresariais robustas, cadeias industriais maduras e um ambiente que movimenta operações de maior volume. O Rio Grande do Sul apresenta o valor médio mais elevado da região, seguido de perto por Santa Catarina e Paraná, em linha com o perfil econômico diversificado desses estados.
Para completar, entre pessoas físicas, o movimento recente dos indicadores de negativados demonstra um ambiente de maior circulação econômica e intensificação do uso do crédito no Sul. Entre março e setembro de 2025, Santa Catarina registra incremento de 5,4%, passando de 2,29 milhões para 2,42 milhões de consumidores negativados. Paraná apresenta avanço de 3,8%, alcançando 3,96 milhões, enquanto o Rio Grande do Sul cresce 5,5%, chegando a 3,89 milhões.
No segmento empresarial, o comportamento segue a mesma trajetória de atividade ampliada. O número de empresas negativadas aumenta 17,3% em Santa Catarina, chegando a 359 mil; 15,7% no Paraná, atingindo 511 mil; e 17,5% no Rio Grande do Sul, totalizando 438 mil. Esses resultados refletem maior dinamismo regional e intensidade nas operações financeiras, características de economias com forte atividade produtiva e alto volume de transações.
De acordo com Elias Sfeir, presidente-executivo da ANBC, a leitura conjunta dos dados revela um cenário de confiança. “O Sul continua exibindo um conjunto muito sólido de indicadores, com consumidores organizados, empresas ativas e um ecossistema creditício que favorece investimento, renovação e crescimento sustentável. Os números são consistentes com uma região que segue ampliando sua relevância econômica e fortalecendo a qualidade do crédito ofertado e utilizado”, diz o executivo.
O conjunto das informações consolida a percepção de que a Região Sul preserva ambiente altamente favorável para o avanço do crédito, combinando expansão, disciplina financeira e forte capacidade de recuperação e adaptação em todos os segmentos.
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