Entidade alerta que a retirada temporária de registros não significa quitação da dívida e reforça a importância da educação financeira para evitar o superendividamento
Em um cenário de elevado endividamento das famílias brasileiras, a busca por soluções rápidas para regularizar a situação financeira tem levado muitos consumidores a recorrer a serviços que prometem “limpar o nome” de forma simples e imediata. A Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) alerta para o “golpe do nome limpo”, que consiste na promessa de limpeza do nome, ou seja, a retirada temporária de registros de inadimplência, sem, no entanto, encerrar a dívida. Em muitos casos, os débitos continuam existindo e podem seguir acumulando juros, encargos e correções monetárias, agravando a situação financeira do consumidor ao longo do tempo.
Segundo a entidade, muitos consumidores acabam acreditando que o pagamento de valores a terceiros será suficiente para resolver pendências financeiras. No entanto, a exclusão temporária de registros não elimina a obrigação financeira existente nem substitui a negociação ou a quitação da dívida com o credor.
A ANBC destaca que a educação financeira e o acesso a informações transparentes são fundamentais para que os consumidores possam identificar riscos, evitar prejuízos e buscar soluções sustentáveis para reorganizar suas finanças.
Confira cinco cuidados antes de contratar serviços de regularização financeira:
1. Desconfie de promessas de solução imediata
A retirada temporária de um registro não significa que a dívida deixou de existir. Em determinadas situações, medidas judiciais podem impedir temporariamente a visualização de apontamentos de inadimplência, mas os débitos permanecem ativos e podem continuar sendo acrescidos de juros, encargos e correções monetárias. Quando isso acontece, o consumidor corre o risco de enfrentar uma situação financeira ainda mais difícil no futuro.
2. Antes de contratar, pergunte para onde está indo o seu dinheiro
Antes de realizar qualquer pagamento, é importante entender se os recursos serão destinados à quitação ou renegociação da dívida. Verifique para que fim será utilizado o pagamento de taxas para terceiros, se será repassado para o credor e haverá comprovação de redução ou de encerramento da obrigação financeira existente.
3. Busque informações sobre sua situação financeira em fontes confiáveis
Conhecer o próprio histórico financeiro é essencial para tomar decisões conscientes. Informações corretas e atualizadas ajudam o consumidor a avaliar alternativas e planejar sua recuperação financeira.
4. Priorize negociação e planejamento financeiro
A renegociação direta das dívidas pode ser feita por meio de contato direto com o credor ou feirões de renegociação oficiais, organizados por instituições confiáveis. A negociação e a organização do orçamento continuam sendo os caminhos mais eficazes para recuperar a saúde financeira e prevenir o superendividamento.
5. Conheça seus direitos
O Código de Defesa do Consumidor garante o direito à correção de informações incorretas e à contestação de registros indevidos. Ao mesmo tempo, a legislação também reconhece a importância de informações corretas, claras e atualizadas nos cadastros, sendo uma proteção ao próprio consumidor.
“A transparência das informações beneficia toda a sociedade. Dados confiáveis ajudam consumidores, empresas e instituições a tomarem decisões mais responsáveis, favorecendo um ambiente econômico mais sustentável, que evita o superendividamento e amplia as condições para o acesso consciente ao crédito”, conclui Elias Sfeir, presidente da ANBC.