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By Elias Sfeir - President of the National Association of Credit Bureaus (ANBC)
As ameaças cibernéticas deixaram de ser um risco técnico e se tornaram um desafio estratégico para empresas de todos os setores. A segurança digital é hoje um pilar indispensável para a sobrevivência dos negócios. Com cerca de 4.000 ataques por dia (dados do setor de birôs de crédito, 2025), a segurança digital é uma realidade que exige atenção imediata. As ameaças cibernéticas se manifestam em dois eixos principais: espionagem e fraude.
Temos hoje o impacto da tecnologia que é uma espada de gumes: cria iniciativas de fraude e também exponencializa a prevenção.
O impacto financeiro é alarmante: o custo médio global de uma violação de dados em 2025 foi de US$ 4,44 milhões. No setor financeiro, esse valor chegou a US$ 4,8 milhões, enquanto nos Estados Unidos ultrapassou US$ 10 milhões. Além do prejuízo direto, as empresas enfrentam perdas adicionais de aproximadamente US$ 1,47 milhão em negócios, devido à rotatividade de clientes e danos à reputação.
No Brasil, os números também preocupam. Um estudo internacional revelou que 53% dos adultos em 18 países foram alvo de algum tipo de fraude digital entre agosto e dezembro de 2024. Aqui, 4 em cada 10 pessoas já sofreram golpes, e 57% dessas vítimas tiveram perdas financeiras, com valor médio de R$ 2.288. Os principais receios dos consumidores brasileiros são cair em golpes com cartão de crédito (36%), transferências via PIX (21%) e vazamento de dados (21%). Globalmente, as fraudes custam às empresas cerca de 7,7% da receita anual; no Brasil, esse impacto é de 6,5%, enquanto nos EUA chega a 9,8%.
Nos Estados Unidos, as fraudes mais danosas são a apropriação de contas (Account Takeover – 31%) e a identidade sintética (24%), que utiliza dados falsos ou combinados para criar perfis inexistentes e obter crédito. E, nesse último caso, informação recente do setor de birôs, aponta que o custo médio (ou perda por inadimplência) para cada identidade sintética conhecida é de aproximadamente US$ 13.000.
Na tecnologia, cabe destacar a Inteligência Artificial (IA), surge como uma das principais ameaças como criação de identidade sintética e também como arma contra fraudes. Empresas que utilizam IA em seus processos de cibersegurança possuem custos de violação US$ 2 milhões menores do que aquelas que não adotam essa tecnologia. Essa vantagem explica por que 73% das organizações investem em ferramentas de segurança específicas para IA. Outra tendência é a automação da gestão de riscos de terceiros (TPRM) em plataformas centralizadas, permitindo identificar e corrigir vulnerabilidades com mais agilidade.
E a evolução continua. Em 2026, 72% dos líderes empresariais acreditam que fraudes impulsionadas por IA e deepfakes serão um dos maiores riscos operacionais. Para 69% dos profissionais, o ecossistema de IA Generativa é a maior preocupação, devido ao seu potencial para criar golpes sofisticados, como phishing personalizado e manipulação de identidade.
Neste cenário, devemos também destacar que a regulação tem papel chave neste processo. Fraudadores não estão sujeitos a regulação e é importante que a regulação facilite quem trabalha na prevenção com segurança e incentive a inovação.
Dado o contexto acima, os birôs de crédito desempenham um papel estratégico na prevenção da fraude. Com tecnologias avançadas, como IA e Machine Learning, processam grandes volumes de dados distintos para validar identidades por biometria facial e digital, calcular score de fraude, que indica a probabilidade de uma transação ser ilícita, e monitorar movimentações em tempo real. Também utilizam biometria comportamental para diferenciar humanos de bots e participam de ecossistemas regulados de compartilhamento de dados, ajudando a economizar bilhões em perdas globais.
Outro aspecto importante é o fator humano. Cerca de 80% dos incidentes são causados por usuários físicos. O letramento em segurança do usuário tem grande impacto nesta cruzada de prevenção à fraude. Vale a pena destacar que o combate à fraude é de interesse coletivo e outro instrumento utilizado são os consórcios de compartilhamento de informações, beneficiando o ecossistema financeiro. Diante de um dos pilares mestre no sistema financeiro, que é a confiança, o combate à fraude agrega, trazendo segurança ao usuário e aos atores do sistema financeiro, e a perspectiva de resiliência e sustentabilidade das operações.
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