relatório de cidadania financeira

Relatório de Cidadania Financeira apresenta dados segmentados e próximos passos para o crédito no país

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In previous article, foram apresentados os dados gerais de acesso aos serviços bancários divulgados pelo Financial Citizenship Report, do Banco Central do Brasil. Os números evidenciam a quase universalização do acesso a esses serviços, mas reforçam a importância de incluir com qualidade.

Esse foi, aliás, o mote das discussões do G20 em 2024, sob a presidência do Brasil. Na ocasião, o grupo de trabalho de finanças do G20 reconheceu avanços nos números de “bancarização”, e destacou que era preciso correr a última milha, focalizando esforços em grupos específicos da população e garantindo uma inclusão com qualidade, conforme havia sido destacado pela ANBC na ocasião.

O Relatório de Cidadania Financeira traz uma análise mais detalhada do uso dos serviços financeiros em recortes específicos da população. Um desses recortes é a população de baixa renda, cadastrada na base do CadÚnico. O cadastro atualizado nessa base de dados é um dos requisitos para participação em programas sociais. O documento destaca que, entre os adultos inscritos no CadÚnico, mais de 90% têm acesso ao Sistema Financeiro Nacional. Considerando a utilização de crédito, o percentual cai para 60%. Dentro dessa parcela da população, observa-se que a utilização de crédito por parte das mulheres supera a dos homens, o que implica também maior comprometimento da renda com operações de crédito entre o público feminino.

Outro recorte destacado pelo Relatório é o de idade. Chama a atenção o fato de que a idade média de início de relacionamento bancário em 2005 era de 35 anos. Passados mais de vinte anos, em 2024, essa média mudou muito, foi estimada em 20 anos. A utilização de crédito entre jovens (entre 15 e 29 anos) também cresceu de maneira significativa, passando de 13,7 milhões de pessoas em 2016 para 27,6 milhões em 2024.

Embora seja positivo o acesso dos mais jovens ao sistema financeiro, cabe aqui um ponto de atenção: de acordo com os dados apresentados pelo documento, a taxa de inadimplência entre os jovens ficou acima da observada entre a população geral, alcançando uma média de 7,4% do saldo de crédito ao longo dos últimos oito anos. E mais: a principal modalidade de crédito utilizada nessa faixa etária é o cartão de crédito, que apresenta taxas de juros mais elevadas na modalidade rotativa. Esses números reforçam a importância do letramento financeiro desde a infância, algo que favorece uma relação mais saudável com as finanças desde os primeiros contatos com os serviços e contribui para uma vida adulta mais equilibrada.

No universo do crédito empresarial, outro recorte importante destacado pelo estudo é o dos microempreendedores individuais (MEI). O universo dos MEIs no Brasil conta com cerca de 16,8 milhões de pessoas, de acordo com dados do Governo Federal. Nesse público, constata-se que o relacionamento bancário é praticamente universalizado. Dentre os quais, menos da metade (43%) mantêm algum tipo de relacionamento na pessoa jurídica. A separação entre essas contas é saudável para a gestão do negócio e para evitar riscos fiscais.

Cabe ressaltar, por fim, que o relacionamento bancário pressupõe o uso eficiente dos serviços financeiros. O setor dos birôs tem dedicado atenção ao tema da inclusão financeira de pequenos negócios, ofertando algumas ferramentas especiais para o segmento, por entender que o acesso a esses serviços pode contribuir para a gestão do dia a dia dos negócios e aumentar a capacidade de investimento das empresas.

Que as próximas edições do Relatório de Cidadania Financeira possam evidenciar além da evolução quantitativa, a melhora da qualidade  do uso do crédito no Brasil para que este movimento se materialize em evolução econômica e social do Brasil.

 

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elias sfeir

 

President of ANBC - National Association of Credit Bureaus. Representative of Latin America in the World Bank Credit Committee. He also represents Brazil and Latin America in credit organisations accross the world, such as ACCIS, BIIA and ALACRED.

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