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ANBC projeta crédito em alta para 2025, apesar dos juros

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A previsão de crescimento global do PIB, em 2025, é de 2,6%. Os países emergentes devem apresentar crescimento de 3,9%, no período. O avanço projetado para o PIB é de 2,0%, de acordo com o Boletim Focus

A Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) avalia que, em 2025, há incertezas sobre o ritmo de desinflação nas principais economias do mundo, o que poderia levar a um aumento nas taxas de juros externas. Isso traria pressões adicionais sobre a cotação do dólar, com repercussão sobre a inflação e sobre a política de juros no Brasil. No caso de uma desaceleração mais acentuada da inflação, as pressões externas seriam amenizadas. Como pontuou o Banco Central na ata da última reunião do Copom, o quadro externo exige cautela de países emergentes.

 

“No cenário internacional temos ainda outros pontos de atenção: a política tarifária a ser adotada pelos Estados Unidos será crucial para a inflação naquele país e todas as repercussões internacionais que uma eventual aceleração dos preços poderia trazer. Quanto aos Estados Unidos, por ora, conhecemos apenas as intenções manifestadas na campanha eleitoral. Será preciso, portanto, aguardar a apresentação de um plano mais concreto. Outro ponto relevante são os fenômenos climáticos em que a nível mundial teve custo econômico de USD 320 bilhões em 2024 com um aumento de cerca de 30% em relação a 2023. O Brasil também foi afetado por secas e enchentes”, avalia Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC.

 

No quadro interno, segundo análise da entidade, 2025 herda alguns desafios de 2024. A maior urgência é o resgate da credibilidade da política fiscal. O Congresso aprovou o pacote fiscal apresentado pelo governo com algumas alterações que desidrataram a proposta original. Desse modo, a pauta fiscal ainda merecerá atenção, sobretudo quando pensamos no médio prazo. A avaliação de importantes agências de risco é de que o pacote fiscal precisa ser complementado com medidas adicionais de cortes. O resgate da credibilidade fiscal seria um forte aliado do Banco Central na tarefa de ancorar as expectativas de inflação. No melhor dos cenários, a “reancoragem” poderia levar a um ciclo menor de alta dos juros. 

Para a atividade econômica, as projeções indicam uma desaceleração do crescimento. Desacelerar significa, nesse caso, crescer menos do que o país cresceu em 2023. A previsão de crescimento global do PIB em 2025 é de 2,6% e dos emergentes de 3,9%. O avanço projetado para o PIB é de 2,0%, de acordo com o Boletim Focus. Cabe ponderar que, ao longo dos últimos anos, a atividade econômica surpreendeu de maneira consistente. Sim, isso pode parecer uma contradição em termos. O fato é que, desde o início da recuperação da pandemia, observou-se um crescimento do PIB acima do que as primeiras projeções apontavam. No caso de a desaceleração ser confirmada, haveria um freio na queda do desemprego e no crescimento da renda média.

A conjuntura menos favorável pode ter implicações sobre a evolução da inadimplência e do crédito. Nos últimos anos, observamos um ciclo de crescimento do crédito, sobretudo no segmento de crédito a pessoas físicas. Foi esse ciclo que levou a relação crédito-PIB a 54,0% em novembro de 2024 – o maior patamar desde início da série histórica apresentada pelo Banco Central. Como já apontamos neste espaço, as razões para o crescimento do crédito vão além da conjuntura e refletem um conjunto de medidas que buscam modernizar o mercado de crédito brasileiro, reduzindo as assimetrias de informação e estimulando a concorrência.

Por essas mesmas razões, apesar da alta esperada dos juros, projeções coletadas pela Febraban apontam para um crescimento de 9,0% no saldo de crédito. Embora seja um crescimento menor do que o projetado para 2024, vale notar que o ritmo de avanço permanece expressivo.

 

“O setor dos birôs de crédito reitera a sua missão de contribuir para a evolução da disciplina do crédito, por meio de soluções inovadoras, alavancando o acesso aos recursos do sistema financeiro, de modo que as empresas possam investir e os consumidores tenham o crédito como uma opção viável e justa, sempre fomentando, é claro, o crédito sustentável. Nos próximos meses, o setor seguirá monitorando e contribuindo com a modernização desse mercado. Esperamos que em 2025 o país possa dar novos passos em prol da economia e trazendo bem-estar social através do crédito”, finaliza Sfeir.

 

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