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O Ecossistema Latino de Fintechs e o Futuro do Crédito na Região

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Fonte: https://cantarinobrasileiro.com.br

Por Elias Sfeir – Presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC)

O sistema financeiro latino-americano está em plena reconfiguração. Impulsionado por inovação regulatória, demanda por inclusão e crescimento acelerado das fintechs, o mercado revela uma nova dinâmica. Mais de 3 mil plataformas ativas em 26 países estão transformando o crédito, os pagamentos e a gestão financeira em toda a região.

Segundo o IV Informe Fintech do BID e da Finnovista, o número de fintechs na América Latina cresceu 340% desde 2017. Brasil, México, Colômbia, Argentina e Chile concentram 77% das empresas, mas países como Peru, Equador e República Dominicana mostram crescimento acelerado. Os segmentos mais representativos são Pagamentos e Remessas (21%), Empréstimos (19%) e Gestão Financeira Empresarial (13%), refletindo uma demanda crescente por soluções digitais que atendam tanto consumidores quanto empresas.

O Brasil desponta como referência global em Open Finance. Com 55 milhões de usuários únicos e crescimento de 2 milhões por mês, o país supera o Reino Unido em penetração e velocidade de adoção. Segundo o relatório EY Open Talks 2025, o ecossistema brasileiro já é o maior do mundo em compartilhamento regulado de dados financeiros. Apesar dos números impressionantes, desafios persistem: 63% das instituições estão abaixo da média de uso das APIs, e 62% dos bancos ainda não percebem valor estratégico no Open Finance.

O crédito é um dos pilares desse resultado. No Brasil, 14% das fintechs atuam diretamente com crédito, segundo o Mapeamento Fincatch 2024. Na América Latina, o acesso ao crédito digital tem sido fundamental para pequenas e médias empresas (PMEs). O relatório da EY mostra que 82% das PMEs estão dispostas a compartilhar dados via Open Finance em troca de serviços personalizados, e 63% pagariam por isso. No entanto, apenas 3% das empresas aderiram ao ecossistema, contra 20% no Reino Unido.

A entrada de novos participantes obrigatórios, por meio da Resolução Conjunta nº 10, adicionará 220 milhões de relacionamentos financeiros ao ecossistema. A norma, que entrou em vigor em 1º de julho de 2025, determina que todas as instituições financeiras reguladas com mais de 5 milhões de clientes ativos passem a integrar obrigatoriamente o Open Finance, ampliando significativamente o alcance e a diversidade de dados compartilhados. No entanto, 71% dessas instituições ainda não têm estratégia clara para uso dos dados, o que pode comprometer a geração de valor.

A sustentabilidade também ganha espaço. Segundo o BID, 79% das fintechs latino-americanas afirmam contribuir para ao menos um Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A regulação avança com leis específicas em países como Chile, Peru e Equador, além de sandboxes e hubs de inovação em diversos países.

O uso de tecnologias como inteligência artificial (IA), blockchaincloud e big data está crescendo, com destaque para soluções que promovem inclusão, eficiência e segurança. Um exemplo é a Jornada Sem Redirecionamento (JSR), implementada no Brasil desde fevereiro de 2025. A JSR elimina etapas e concentra autenticações em um único ambiente, oferecendo uma experiência mais fluida, segura e eficiente, especialmente para empresas. Inicialmente voltada à iniciação de pagamentos, há expectativa de que a jornada também contemple o compartilhamento de dados no futuro.

O ecossistema latino de fintechs segue em plena expansão. Mais do que inovação tecnológica, ele representa uma nova arquitetura financeira, que tende a ser mais inclusiva, conectada e sustentável. Além dos aspectos técnico estruturais temos o psicossocial. Existem três pontos importantes na ótica do usuário: letramento digital, letramento financeiro e letramento cibernético, para que o uso de plataformas evolua de forma inclusiva, sustentável e segura. Outros desafios regionais são: regulatório e supervisão prudencial em sistemas de grande capilaridade e múltiplas geografias. O futuro do crédito na América Latina será moldado por dados, colaboração e propósito, a ser materializado pelo crédito cross-border, iniciativa em plena expansão na Ásia. E as fintechs estão no centro dessa transformação.

 

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