ANBC vê ambiente mais eficiente para operações de crédito após mudanças regulatórias

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Entidade avalia que avanços regulatórios e maior integração de dados ampliam eficiência, concorrência e previsibilidade nas operações voltadas a famílias e empresas

A Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) avalia que mudanças recentes em três modalidades relevantes de crédito (consignado, financiamento imobiliário e desconto de duplicatas) criam condições para ampliar a eficiência do mercado financeiro brasileiro em 2026. As transformações decorrem de ajustes regulatórios, maior integração de bases de dados e avanços tecnológicos que tornam as operações mais dinâmicas, ampliam a concorrência e reduzem assimetrias de informação.

No crédito consignado, as alterações implementadas em março do ano passado, com a integração de bases públicas e privadas e a contratação via Carteira de Trabalho Digital, simplificaram o acesso dos trabalhadores da iniciativa privada. O novo modelo ampliou a competição entre instituições financeiras e acelerou a concessão. Dados do Banco Central indicam que o volume médio mensal das operações passou de R$ 1,6 bilhão, até fevereiro de 2025, para R$ 5,1 bilhões entre março e dezembro do mesmo ano.

“Quando a informação circula de forma mais integrada e o processo de contratação se torna simples, o mercado responde com aumento de oferta e maior competição. Esse movimento melhora a formação de preços e amplia as opções disponíveis ao tomador, desde que acompanhado por critérios consistentes de avaliação”, afirma Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC.

No financiamento imobiliário, o novo marco definido pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e pelo Banco Central em 2025 alterou o modelo de funding do setor. A destinação gradual de até 100% dos recursos da poupança para essa modalidade e a flexibilização do uso de instrumentos como Letras de Crédito Imobiliário (LCI) ampliam a eficiência na alocação de recursos. Projeções indicam que, no primeiro ano de vigência, o saldo dessa carteira pode ser ampliado em R$ 111 bilhões, além da elevação do valor máximo dos imóveis financiados pelo Sistema Financeiro de Habitação para R$ 2,25 milhões.

“As mudanças no financiamento imobiliário mostram como ajustes regulatórios bem calibrados conseguem destravar recursos, melhorar o uso do crédito e criar condições para operações mais sustentáveis no médio prazo, com impacto direto sobre o planejamento das famílias”, avalia Sfeir.

Já no crédito empresarial, o avanço das duplicatas escriturais introduz um novo padrão de segurança e rastreabilidade nas operações de antecipação de recebíveis. O registro eletrônico desses títulos, supervisionado pelo Banco Central, fortalece o controle das transações e amplia a qualidade das informações disponíveis ao sistema financeiro. “A duplicata escritural representa um ganho importante para o ambiente de negócios. Ao elevar o nível de controle e transparência, o mercado passa a operar com menos fricções e maior previsibilidade, o que favorece empresas que buscam capital de giro para manter e expandir suas operações”, destaca o executivo.

Para a ANBC, o conjunto dessas iniciativas sinaliza um novo ciclo de modernização do mercado financeiro brasileiro, já que a combinação entre regulação, tecnologia e uso qualificado de dados cria um ambiente mais eficiente para a alocação de recursos. Esse movimento amplia o acesso a crédito para diferentes finalidades, de maneira sustentável, com ganhos de produtividade e maior integração entre famílias, empresas e o sistema financeiro.

 

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