balanço de 2025

Crédito, juros e inadimplência: um balanço de 2025

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As primeiras projeções para 2025 indicavam a continuidade do ciclo de crescimento do crédito, mesmo em um ambiente de juros elevados. Ainda no começo do ano, refletimos sobre esse cenário, destacando as principais projeções macroeconômicas e as fontes de incerteza para os meses seguintes. Agora, caminhando para o encerramento de 2025, é possível fazer um balanço mais claro do que se confirmou e dos pontos de atenção que ficam para 2026.

No início do ano, as projeções para o PIB brasileiro indicavam um crescimento próximo de 2%, de acordo com o Boletim Focus. Diferentemente do que se observou em anos anteriores, essas estimativas permaneceram nesse patamar ao longo de 2025 e foram confirmadas pelos dados trimestrais mais recentes do IBGE. O resultado aponta desaceleração do ritmo de expansão da economia brasileira, que havia apresentado taxas mais expressivas nos anos imediatamente posteriores à pandemia.

A evolução das projeções para a inflação em 2025 pode ser dividida em dois momentos. Entre fevereiro e abril, houve deterioração das expectativas para o IPCA, com as projeções do Boletim Focus chegando a 5,6%. A partir de maio, porém, as estimativas voltaram a recuar de maneira consistente. De acordo com o último Boletim Focus, de 24 de novembro de 2025, a variação do IPCA deverá ser de 4,45%. Caso se confirme, esse resultado permanecerá acima da meta de 3,0%, mas ficará abaixo das previsões feitas no início do ano. Cabe também destacar que as sobretaxas dos Estados Unidos impactaram positivamente na inflação devido a maior oferta de produtos no mercado local.

balanço de 2025

Reagindo ao vai-e-vem do ritmo de crescimento dos preços, o Comitê de Política Monetária (COPOM) manteve a taxa básica de juros em níveis elevados. Em junho de 2025, a SELIC foi fixada em 15,0% ao ano e, nas reuniões seguintes, permaneceu nesse patamar. Na sua comunicação, o COPOM tem enfatizado que a manutenção da taxa básica em 15,0% por um “período prolongado” será suficiente para fazer a inflação convergir para a meta. A interpretação sobre a duração desse “período prolongado” tem pautado boa parte das discussões de mercado ao longo das últimas semanas.

O aumento da SELIC repercutiu diretamente nos juros cobrados na ponta, tanto de consumidores quanto de empresas. No segmento de Pessoas Jurídicas, a taxa média de juros passou de 17,5% ao ano para 20,7% ao ano entre setembro de 2024 e setembro de 2025. No segmento de Pessoas Físicas, a taxa média subiu de 32,3% ao ano para 36,3% ao ano. Mesmo nesse contexto de aperto monetário, o crédito continuou crescendo a taxas expressivas: em PF, o avanço foi de 11,0% na comparação entre setembro de 2025 e o mesmo mês do ano anterior; em PJ, a alta foi de 8,7%.

Esse avanço do crédito em um ambiente de juros altos decorre, em grande medida, de fatores estruturais, refletindo o aumento da inclusão financeira observado nos últimos anos. É importante notar que, concomitantemente à expansão do crédito, os dados do setor de birôs de crédito apontam para o crescimento do número de consumidores negativados, em outubro de 2025 atingimos o recorde com mais de 80M de pessoas negativadas com um aumento de 9,9% com relação a outubro de 2024. Outro ponto importante é o numero de famiíias endividadas que em outubro de 2025 atingiu a 79,5% com um aumento de 3,4% aumento de 3,4% com relação a outubro de 2024

No cenário externo, o Federal Reserve (FED) retomou a redução da taxa básica de juros americana, com repercussões importantes sobre os países emergentes. Persistem, entretanto, as incertezas em relação aos efeitos da disputa tarifária, que atingiu o seu ápice na primeira metade do ano e gerou sucessivos movimentos de tensão e distensão nos mercados financeiros globais.

Ao longo de 2025, mudanças regulatórias relevantes foram introduzidas em modalidades importantes de empréstimos e financiamentos, como o consignado e o crédito imobiliário. Os efeitos dessas alterações regulatórias sobre o custo e a oferta de crédito ainda serão medidos com maior precisão nos próximos meses. Também merece destaque a criação da Frente Parlamentar pela Democratização do Crédito, com participação ativa do setor de birôs. A expectativa é de que esse fórum contribua para ampliar a inclusão financeira e fortalecer o uso responsável do crédito no país.

Em síntese, os dados conjunturais confirmam, em grande parte, as projeções feitas no início do ano, ao mesmo tempo em que reforçam alguns pontos de atenção para 2026: a elevação da inadimplência, o aumento das famílias endividadas, a desaceleração do ritmo de crescimento da economia brasileira e a necessidade de aumentar o crescimento potencial do país por meio de ganhos de produtividade. No próximo artigo, voltaremos o olhar para o futuro, analisando os desafios herdados de 2025 e discutindo as tendências e projeções para o mercado de crédito em 2026.

 

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elias sfeir

 

Por: Elias Sfeir Presidente da ANBC & Membro do Conselho Climático da Cidade de São Paulo & Conselheiro Certificado

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