Levantamento da entidade aponta expansão acima da média nacional e destaca a dinâmica econômica regional como fator de impulso para o financiamento de famílias e empresas
O volume de crédito no Amazonas registrou crescimento de 14,1% em 2025, desempenho superior ao observado no Brasil, que apresentou expansão de 10,3% no mesmo período, segundo dados do Banco Central analisados pela Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC). O resultado indica um movimento de ampliação do acesso a recursos financeiros em um contexto de maior dinamismo econômico no estado. Ao mesmo tempo, os indicadores de endividamento e inadimplência permanecem elevados. Atualmente, 58,2% da população do estado está inadimplente, percentual quase 10 pontos percentuais acima do registrado no país, de 49,7%. Entre as famílias, 87,2% estão endividadas, enquanto a taxa nacional é de 79,5%. O desemprego segue a mesma tendência, com índice de 7,3% no estado, frente a 5,1% no conjunto do país.
Para o presidente da ANBC, Elias Sfeir, monitorar a evolução do crédito, incentivar renegociações e estimular a recuperação saudável de dívidas é essencial para o equilíbrio financeiro das famílias e para o fortalecimento regional. “Quando observamos a dinâmica do crédito em estados como o Amazonas, percebemos uma combinação entre expansão do crédito e uma maior utilização de instrumentos financeiros por consumidores e empresas. Complementando este movimento, também nos deparamos com alguns sinais de alerta como um aumento de inadimplência, desemprego acima da média do Brasil e endividamento das famílias”, afirma.
O crescimento do crédito ocorre em paralelo à movimentação de setores estratégicos da economia local, com impacto direto na demanda por financiamento. A ampliação das operações financeiras acompanha a necessidade de capital para expansão de negócios, capital de giro e aquisição de bens, tanto por parte de empresas quanto de famílias, reforçando o papel do crédito como instrumento de sustentação da atividade econômica.
Na capital, Manaus, esse movimento se conecta à dinâmica produtiva do polo industrial e à intensificação das atividades comerciais e de serviços. A presença de cadeias produtivas relevantes e o fluxo de investimentos contribuem para ampliar a demanda por crédito, criando um ambiente em que o financiamento passa a desempenhar papel importante na manutenção do ritmo econômico.
Indicadores do mercado de trabalho ajudam a ilustrar essa dinâmica. Dados do Caged mostram que o Amazonas contabilizou cerca de 571 mil trabalhadores com carteira assinada em dezembro de 2025, dos quais mais de 519 mil estão concentrados em Manaus, evidenciando a forte centralidade econômica da capital e o peso das atividades industriais, comerciais e de serviços na geração de empregos formais. O volume de trabalhadores registrados em Manaus equivale a 91% do total de emprego formal do Amazonas.
A estrutura produtiva local explica esse dinamismo. Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti) mostram que Manaus possui o sexto maior Produto Interno Bruto (PIB) entre as cidades brasileiras, com R$ 127,6 bilhões, e responde por cerca de 78,9% da economia do Amazonas. O PIB per capita na capital do Estado teve crescimento médio de 33,2% em 05 anos, chegando a R$ 45.783, muito acima do valor do Estado (R$ 30.804). Como comparação, o mesmo indicador em relação ao Brasil é de R$ 59.687,49.
O desempenho está diretamente ligado às atividades da Zona Franca, que concentra parte relevante da produção industrial do estado, com forte presença nos setores eletroeletrônico, duas rodas, metalúrgico e bens de informática. De acordo com Sfeir, o avanço do crédito em estados fora do eixo tradicional da economia brasileira demonstra uma tendência de maior capilarização do sistema financeiro. “A expansão do crédito em regiões como o Norte do país mostra que o acesso a instrumentos financeiros acompanha transformações importantes nas economias locais. Esse processo fortalece o mercado interno e amplia as possibilidades de desenvolvimento regional, e no caso do Amazonas deve ser feito com aprimoramento da avaliação de crédito do lado do credor e educação financeira pelo tomador de crédito para que seja sustentável”, conclui o presidente da ANBC.
Leia também:
Estratégias para a educação financeira de jovens: as ações do CFPB e o caso brasileiro