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Do Pix ao Open Finance: inovação molda o novo ecossistema de crédito

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Fonte: https://cantarinobrasileiro.com.br/

Por Elias Sfeir – Presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC)

A transformação digital dos sistemas de pagamento está remodelando o acesso ao crédito e à cidadania financeira na América Latina e Caribe. Estudo recente do Banco de Compensações Internacionais (BIS), mostra como os sistemas de pagamentos instantâneos, Fast Payment System (FPS), estão se tornando catalisadores de inclusão financeira. A Europa, Ásia e África também tem países com sistemas semelhantes.

A visibilidade no crédito depende, antes de tudo, da formalização das relações financeiras. Os FPS, como o Pix no Brasil, o SINPE Móvil na Costa Rica e o SPEI no México, têm desempenhado papel fundamental nesse processo. Ao permitir transferências em tempo real, 24 horas por dia, sete dias por semana, esses sistemas reduzem a dependência do dinheiro em espécie e criam trilhas digitais que através dos dados de transação podem ser utilizadas para avaliar o comportamento financeiro de indivíduos e pequenos negócios.

Essas trilhas são a base para a construção de históricos de pagamentos inclusive os de crédito, especialmente para populações tradicionalmente excluídas do sistema financeiro formal. Segundo o estudo, a introdução de FPS aumenta 3,9 pontos percentuais no número de pessoas que tomam empréstimos em instituições financeiras e 3,0 pontos percentuais daquelas que mantêm poupança formal.

A inclusão financeira vai além do acesso a uma conta bancária, envolve o uso efetivo de produtos financeiros que atendam às necessidades da população. Nesse sentido, os FPS promovem a inclusão de qualidade, ao oferecerem serviços de baixo custo, interoperáveis e acessíveis até mesmo por meio de celulares simples. O G20 tem reforçado a importância da inclusão financeira como vetor de desenvolvimento econômico e social sustentáveis. O Brasil, com o sucesso do Pix, que já representava 43% das transações sem dinheiro em espécie no país até meados de 2024, segundo o BIS, se destaca como referência global.

Segundo artigo recente do economista Paul Krugman, vencedor do Prêmio Nobel de Economia, o Brasil pode ter inventado o futuro do dinheiro. Ele destaca que o Pix é utilizado por 93% dos adultos brasileiros e está substituindo rapidamente o uso de dinheiro em espécie e cartões. O volume de saques no país em 2024 foi cerca de R$ 660Mi, uma queda de cerca de 40% nos últimos três anos.

Além disso, o Pix realiza transações em cerca de três segundos, enquanto cartões de débito levam dois dias e cartões de crédito até 28 dias para liquidar pagamentos. O custo das transações também é significativamente menor: apenas 0,33% para empresas, contra 1,13% para débito e 2,34% para crédito. Krugman afirma que o Pix está conseguindo o que os defensores das criptomoedas prometeram, mas não entregaram: baixos custos de transação e inclusão financeira.

O Fórum Bancos & Banking promovido pela Cantarino Brasileiro há alguns meses trouxe contribuições valiosas sobre o papel do Pix na agenda de crédito em uma de suas palestras. O Pix está sendo cada vez mais utilizado por pequenos empresários e o Banco Central está desenvolvendo o projeto “Pix Garantido”, que permitirá usar o fluxo de recebimentos via Pix como garantia em operações de crédito. Isso pode reduzir o custo do crédito e ampliar o acesso para quem antes não tinha garantias formais através da visibilidade via os Birôs de crédito.

Além disso, o Banco Central está investindo em mecanismos como o MED (Mecanismo Especial de Devolução) para combater fraudes e aumentar a confiança no sistema. Também foi destacado que o Open Finance está entrando em uma nova fase, com foco na integração com o crédito. Isso permitirá que instituições financeiras ofereçam produtos mais personalizados e acessíveis, com base no histórico financeiro do usuário, um avanço importante para democratizar o acesso ao crédito com qualidade.

Mais recentemente, o Banco Central lançou o Pix Automático, funcionalidade que permite o agendamento de pagamentos recorrentes com autorização prévia do pagador. A novidade amplia a conveniência para os usuários e cria oportunidades para empresas, especialmente pequenos negócios, que agora podem oferecer crédito com menor custo e maior previsibilidade de recebimento, contribuindo para a formalização de relações comerciais e geração de dados valiosos para análise de crédito.

A expansão internacional do Pix reforça ainda mais seu papel como vetor de transformação econômica. A solução brasileira, que já é amplamente utilizada por turistas e imigrantes em países como Portugal, Uruguai, Argentina e Chile, começa a ganhar espaço também nos Estados Unidos. A tecnologia desenvolvida por empresas como a PagBrasil permite que o Pix seja aceito no varejo físico americano, com integração direta às maquininhas da Verifone.

Além disso, o chamado “Pix Roaming” viabiliza pagamentos por estrangeiros usando o app do próprio banco local, conectando o Pix a instituições financeiras de outros países. Essa interoperabilidade internacional mostra que o Pix além de democratizar o acesso ao crédito no Brasil, também inspira novos modelos de pagamento fora dele, desafiando estruturas tradicionais e criando pontes entre sistemas financeiros regionais. É a semente do crédito cross-border que mencionei no artigo anterior.

Esses projetos reforçam a ideia de que o Pix e o Open Finance, além de inovações tecnológicas, são instrumentos de transformação social e econômica, com potencial direto para ampliar o acesso ao crédito, reduzir desigualdades e fortalecer a cidadania financeira. E são esses exatamente os pilares da nossa coluna Crédito Sustentável: Tendências e Transformações.

 

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