Em dezembro de 2025, o Consumer Financial Protection Bureau (CFPB) publicou o relatório anual de letramento financeiro. O CFPB é uma agência independente de proteção aos consumidores de serviços financeiros nos Estados Unidos. O relatório faz um balanço das estratégias utilizadas pelo órgão para promover o letramento financeiro, sobretudo entre os mais jovens.
O foco nos jovens carrega efeitos de longo prazo. Disseminar o conhecimento e incentivar a disciplina do crédito desde cedo contribui para a formação de adultos financeiramente mais saudáveis e para um sistema financeiro mais sólido. Destacamos, a seguir, as quatro estratégias adotadas pelo CFPB ao longo dos últimos anos para promover o letramento financeiro e discutimos o caso brasileiro.
1. Criar oportunidades para a prática da gestão financeira na infância. A efetividade dessa estratégia requer o conhecimento sobre como, onde e quando as crianças desenvolvem as habilidades financeiras. Para isso, o CFPB propôs um modelo de como ocorre esse desenvolvimento baseado em três pilares: a capacidade de colocar planos em prática, lembrar informações e controlar impulsos; os hábitos e as normas que moldam o comportamento financeiro no dia a dia; e, por fim, a familiaridade com os conceitos de finanças, bem como a capacidade buscar informações confiáveis.
No Brasil, iniciativas como o Programa Aprender Valor, do Banco Central (https://aprendervalor.bcb.gov.br/site/aprendervalor), estimulam o desenvolvimento dessas competências desde o ensino fundamental. Vale destacar o Programa Meu Bolso em Dia da Febraban (https://plataforma.meubolsoemdia.com.br/).
2. Introduzir os principais conceitos de educação financeira no ensino básico. Nos últimos anos, o número de estados americanos que incluíram a educação financeira como requisito para conclusão do ciclo básico passou de sete, em 2015, para 29 em 2025, de acordo com o relatório do CFPB. No Brasil, a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) prevê o ensino da educação financeira como um conteúdo transversal, incluído em outras disciplinas. Recentemente, porém, alguns estados introduziram as finanças nas escolas como uma disciplina separada das demais, como é o caso de São Paulo.
3. Treinar professores para ensinar educação financeira no ciclo básico. A disciplina abrange conceitos de economia, noções de orçamento pessoal e investimentos, entre outros temas. Como frequentemente é ministrada por professores de diferentes áreas, exige capacitação técnica. Pesquisas mencionadas pelo CFPB indicaram que os educadores desejam mais preparo para abordar o tema.
No Brasil, além das ações do Banco Central, iniciativas como B3 Educação (edu.b3.com.br) e ANBIMA Edu (www.anbimaedu.com.br) oferecem conteúdos de apoio e formação.
4. Estimular pais e responsáveis a falar sobre finanças em casa. Essa estratégia busca reforçar a conexão entre a escola e a casa. Em tese, os alunos que recebem a formação de educação financeira têm mais chances de abordar o assunto com os pais. Uma pesquisa conduzida pelo CFPB mostrou que, de fato, entre os alunos que tiveram essa formação, 48% mantêm conversas semanais sobre dinheiro com os pais; entre os que não receberam, esse percentual cai para 33%.
Movimentos internacionais acontecem há vários anos, como por exemplo, a campanha mundial Global Money Week, que esse ano vai para sua 14ª edição e aborda educação financeira voltada para crianças, adolescentes e jovens. Essa iniciativa é conduzida mundialmente pela Rede Internacional em Educação Financeira da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD/INFE) e, no Brasil, pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM), está prevista para 16 a 22 de março de 2026 e terá como tema “Falar de Dinheiro Transforma”.
Em 2010, a educação financeira também virou política permanente e de estado no Brasil, com a criação da Estratégia Nacional de Educação Financeira (ENEF). O objetivo é promover conteúdos sobre o assunto de forma gratuita e em diversos formatos. Uma das iniciativas de maior impacto é a Semana ENEF, que caminha para 13ª edição em 2026. A iniciativa reúne os esforços de diversas entidades públicas e privadas, que promovem ações de divulgações e eventos. Ao longo dos últimos anos, os birôs de crédito marcaram presença na Semana ENEF, compartilhando a experiência do setor acumulada ao longo de anos de atuação no mercado de crédito brasileiro.
O estímulo à disciplina do crédito entre as novas gerações ganha importância global, promete efeitos estruturais de longo prazo e consolida-se como vetor estratégico para o fortalecimento sustentável do sistema financeiro.
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