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By Elias Sfeir - President of the National Association of Credit Bureaus (ANBC)
Durante muito tempo, sustentabilidade do crédito foi sinônimo de inadimplência: o devedor paga ou não paga? Com avanço do sistema financeiro, pergunta ainda importa, e se expande.
Hoje, crédito sustentável envolve a qualidade estrutural da concessão, a estabilidade de longo prazo da carteira, a exposição a riscos climáticos e a forma como a instituição gerencia os terceiros que sustentam toda a sua operação decisória. Ignorar qualquer uma dessas dimensões aumenta o risco.
Em várias discussões sobre o avanço da tecnologia no crédito, o universo de risco de terceiros ampliou.
The 2024 Prevalent Third-Party Risk Management Study revela que 61% das empresas sofreram uma violação de dados ou incidente de segurança envolvendo terceiros nos últimos 12 meses, o que representa um crescimento de 49% em um ano. No ecossistema financeiro, birôs de crédito, plataformas de originação, fornecedores de dados e parceiros tecnológicos integram o fluxo decisório de crédito de forma estrutural. No ecossistema financeiro, uma falha em qualquer um desses elos pode comprometer desde a qualidade dos modelos de scoring (que calculam a nota de crédito) até a integridade dos processos de recuperação, gerando fragilidade operacional e reputacional.
O problema é agravado pela fragmentação da governança. Atualmente, 50% das organizações ainda usam planilhas manuais para gerenciar seus fornecedores críticos, e apenas um terço dos parceiros é efetivamente monitorado. Mais revelador ainda: 85% das organizações rastreiam riscos ao selecionar fornecedores, mas somente 29% remediam os problemas encontrados, ou seja, sabe-se o que há de errado e nem sempre se age.
A isso se soma a pressão do risco climático. O Relatório de Riscos Globais 2026 do Fórum Econômico Mundial posiciona eventos climáticos extremos como o quarto risco global mais severo no horizonte de dois anos. Para o crédito, isso se traduz em garantias desvalorizadas, tomadores vulneráveis e modelos que precisam ser reavaliados. Entre as instituições financeiras, isso exige uma atuação proativa, apoiando-o com produtos e prazos que facilitem a adaptação e a transição sustentável. Incorporar critérios ESG e climáticos na análise deixou de ser um diferencial para se tornar gestão de riscos responsável.
O que conecta essas dimensões é uma governança integrada. Regulação, tecnologia, risco de terceiros, clima e concessão responsável precisam sair de silos e se alinhar com a estratégia das organizações. Instituições que integram essas dimensões em uma visão unificada vão além da performance do negócio redefinindo o setor (shockwavers) garantindo a confiança de investidores.
Olhando para o futuro, as tendências apontam para o uso intensivo de IA e automação para fechar lacunas de recursos, além da exigência de stress testing climático recorrente. Em um ambiente em que, segundo o Fórum Econômico Mundial, 50% dos especialistas globais antecipam um cenário turbulento para os próximos dois anos, resiliência operacional e o monitoramento contínuo de terceiros deixam de ser opcionais e passam a ser requisitos de competitividade. O momento de fortalecer esses pilares é agora, antes que o próximo incidente transforme a prevenção em urgência tardia.
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