Entidade orienta consumidores sobre os riscos de promessas de regularização imediata e apresenta cinco cuidados para recuperar a saúde financeira com segurança
Ofertas que prometem retirar restrições dos cadastros de inadimplentes em poucos dias, mediante o pagamento de taxas, podem trazer prejuízos ao consumidor. Isso porque a exclusão temporária do registro mantém a dívida ativa, sujeita à incidência de juros, encargos e correção monetária. Para esclarecer esses riscos, a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) dedica uma nova edição da série ANBC Explica ao chamado “Golpe do Nome Limpo”.
A prática envolve serviços que prometem retirar registros de inadimplência por meio de decisões judiciais. Essas medidas podem suspender temporariamente a visualização das pendências, enquanto os débitos permanecem sob responsabilidade do consumidor e podem voltar a constar nos cadastros após o fim dos efeitos da decisão.
“É fundamental compreender que a retirada de uma restrição cadastral é diferente da quitação de uma dívida. A regularização financeira efetiva passa pela negociação com o credor, pelo planejamento e pela busca de soluções compatíveis com o orçamento”, explica Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC.
A entidade também alerta para o risco de superendividamento, já que o consumidor pode assumir novos compromissos ao acreditar que sua situação financeira foi regularizada. A transparência das informações e a educação financeira são essenciais para evitar prejuízos e promover decisões mais conscientes.
Cinco cuidados para regularizar as dívidas com segurança
Para ajudar a população a identificar ofertas que merecem atenção e encontrar caminhos efetivos para recuperar a saúde financeira, a ANBC reúne cinco orientações práticas:
1. Consulte suas dívidas em canais confiáveis
Acompanhe sua situação financeira nos canais oficiais dos credores e dos birôs de crédito. Identifique se há, de fato, registro negativo de débito, valores devidos, condições de pagamento e a origem de cada pendência. Essas informações ajudam a organizar o orçamento e avaliar alternativas
de negociação.
2. Entenda o que significa ter o nome limpo
A retirada de uma restrição do cadastro e a quitação de uma dívida são situações diferentes. Uma decisão judicial pode suspender temporariamente a visualização de um registro, enquanto o débito continua existindo e sujeito aos juros e encargos aplicáveis. A regularização efetiva depende
da situação da dívida, incluindo pagamento, negociação ou outras formas legais de resolução.
3. Saiba exatamente para onde vai o seu dinheiro
Antes de contratar serviços que prometem retirar restrições, verifique o que está sendo oferecido
e qual será o destino do pagamento. Uma taxa cobrada por intermediários pode remunerar apenas
o serviço prestado, sem reduzir o valor devido ao credor. Solicite informações por escrito
e comprovantes de qualquer pagamento destinado à quitação ou renegociação.
4. Busque a negociação e planeje o pagamento
O contato direto com o credor é um caminho para conhecer possibilidades de desconto, parcelamento e renegociação. Antes de assumir um acordo, avalie quanto da renda mensal pode ser destinada às parcelas, preservando os recursos necessários para suas despesas essenciais. O objetivo é encontrar uma solução que caiba no orçamento e ajude a prevenir novas situações de endividamento.
5. Conheça seus direitos e valorize a transparência
O Código de Defesa do Consumidor, em seu artigo 43, assegura o acesso às informações existentes nos cadastros e o direito de solicitar a correção de dados inexatos. Você pode fazer isso diretamente com os credores ou nos sites dos birôs de crédito, de forma gratuita. A legislação também estabelece que os registros devem ser objetivos, claros, verdadeiros e de fácil compreensão. Essas garantias protegem o cidadão e contribuem para relações financeiras mais equilibradas e decisões de concessão mais responsáveis.
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