De acordo com a entidade, o crescimento do crédito ocorre de forma gradual e equilibrada, com maior seletividade, uso qualificado de dados e foco na capacidade real de pagamento no estado
A expansão do mercado de crédito no Acre reflete um processo de maior maturidade econômica e integração ao sistema financeiro nacional. A avaliação é da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), que observa crescimento consistente das operações no estado, sustentado por critérios mais aderentes à realidade econômica local e pelo uso qualificado de informações para análise de risco.
Os indicadores revelam um cenário desafiador, porém equilibrado. No segundo trimestre de 2025, a renda média do trabalho no Acre foi de R$ 2.795, abaixo da média nacional de R$ 3.507, enquanto a taxa de desemprego alcançou 7,4%, cerca de dois pontos percentuais acima do índice brasileiro (5,6%). Ainda assim, o mercado local tem conseguido ampliar o acesso ao financiamento sem pressionar de forma desproporcional os níveis de inadimplência.
Dados do setor mostram que, embora o endividamento das famílias acreanas esteja em patamar elevado, atingindo 82%, o percentual da população inadimplente permanece inferior ao do país: 47,5% no estado, contra 49,8% no Brasil. O comportamento indica uma relação mais cautelosa entre tomada de recursos e capacidade de pagamento, resultado de análises mais criteriosas e decisões financeiras mais estruturadas.
Para Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC, esse movimento evidencia a evolução do mercado local. “O que se observa no Acre é um avanço sustentado, em que a expansão acompanha a capacidade real da economia. O uso de informações qualificadas permite decisões mais equilibradas, reduz riscos e fortalece a confiança de famílias, empresas e instituições”, afirma.
A dinâmica econômica do estado é fortemente influenciada pela capital Rio Branco, que concentra cerca de 68% do emprego formal acreano, o equivalente a mais de dois terços dos vínculos com carteira assinada. A trajetória recente das operações no estado acompanha, ainda, a tendência de desaceleração gradual observada no país. Em 2025, o crescimento do crédito no Acre foi de 9,4%, próximo ao índice nacional de 10,2%, após picos mais elevados registrados nos anos anteriores. O movimento sugere um ciclo de maior seletividade e racionalidade na concessão, compatível com um mercado em fase de consolidação.
O agronegócio segue como vetor estratégico nesse contexto. As operações voltadas ao setor rural e agroindustrial vêm ganhando robustez no Acre. No entanto, o ticket médio por contrato no Estado é 52% maior do que o do país (R$ 209mil x R$ 137 mil).
Outro ponto relevante é que a nota de crédito do setor é abaixo da média nacional, o que indica que a educação financeira no Estado, além de ampliar o acesso ao crédito pode trazer sustentabilidade para alavancar o desenvolvimento socioeconômico do estado.
Segundo Sfeir, a adoção de soluções como o Agri Birô, que permite uma leitura mais precisa do risco no campo, contribuindo para decisões mais alinhadas à dinâmica da produção agropecuária, fortalece o ambiente de negócios no estado. “Modelos especializados tornam a análise mais aderente à realidade do agronegócio, ampliam a previsibilidade das operações e melhoram a alocação dos recursos. Isso cria um ambiente mais seguro para o desenvolvimento econômico, especialmente em estados com forte presença rural, como o Acre”, conclui.
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