Fonte: https://cantarinobrasileiro.com.br
Por Elias Sfeir – Presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC)
A inteligência artificial tem se tornado uma alavanca de eficiência para o ecossistema financeiro, capaz de transformar dias de análise documental em minutos. No setor de birôs de crédito já temos resultados comprovados envolvendo a redução de 20% nas perdas de crédito e por fraude e corte de 66% nos custos de desenvolvimento de modelos.
A experiência tem mostrado que o verdadeiro diferencial competitivo não reside apenas no uso da tecnologia, mas no seu planejamento estruturado. Uma implantação de IA moderna e responsável deve ser consolidada em 10 dimensões fundamentais: regulação, estratégia, tecnologia, dados, risco, governança, cultura, pessoas, social e meio ambiente.
Estima-se que, para resultados mais consistentes e efetivos, as instituições devem adotar o modelo 10-20-70: onde apenas 10% do sucesso advém da ferramenta de IA e 20% em TI, enquanto massivos 70% dependem das pessoas e da cultura organizacional. Sem esse foco no pilar humano, as organizações correm o risco de cair na “ilusão de segurança”, termo apontado por estudo da IBM, demonstrando que embora 63% dos líderes financeiros foquem em riscos regulatórios, apenas 29% acreditam que esses riscos estão de fato mitigados.
A governança real exige que a estratégia de IA esteja explicitamente vinculada aos objetivos do negócio e ao reporte direto para o Conselho. Esse foco no fator humano ajuda a mitigar riscos subestimados, como o gap de competência tecnológica.
Na prática, a IA deve ser encarada como uma “Inteligência Ampliada”, que expande a capacidade humana em vez de substituí-la. Segundo o relatório “The Human Advantage” (2026) do Fórum Econômico Mundial, investimentos em “Capital Cerebral” e habilidades cognitivas são essenciais para que a IA complemente o critério humano em decisões críticas, muito comuns no setor financeiro.
O sucesso também depende da estratégia de IA estar vinculada aos objetivos do negócio, por isso seus principais usos tem sido: em tarefas internas, processos internos, processo externos e para reinventar o setor.
Mais uma vez a dimensão humana é fundamental por meio do modelo de intervenção humana adotado: Human-in-the-Loop, com aprovação humana obrigatória, é ideal para decisões de crédito de alto impacto; o Human-over-the-Loop permite operação autônoma com supervisão ativa; e o Human-out-of-the-Loop, por ser totalmente automatizado, representa o maior risco e exige a arquitetura de governança mais estrita. Esse é um método simples e que pode alavancar o resultado da IA no sistema de controle de riscos em serviços financeiros.
Leia também
Crédito avança 14,1% no Amazonas com atividade econômica e mercado de trabalho em expansão, diz ANBC
Crédito e Tecnologia: Como as MPMEs estão se beneficiando com instrumentos financeiros