sustentabilidade do crédito

Sustentabilidade do crédito

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Fonte: O Estado de S.Paulo – 01/04/2025

No mercado de crédito, obedecer a critérios claros de responsabilidade e sustentabilidade, garante que o acesso ao dinheiro seja usado de forma consciente e eficiente.

Imagine que o crédito seja como um sistema de concessão rodoviária. Cada oferta do benefício é uma estrada dentro desse sistema que interliga recursos a oportunidades. Para que esse mecanismo funcione de forma eficaz, precisa ser bem planejado e executado, com bom pavimento, obedecendo a critérios claros de responsabilidade e sustentabilidade. No mercado de crédito, isso garante que esse acesso ao dinheiro seja usado de forma consciente e eficiente.

Assim como vias bem planejadas e de boa qualidade proporcionam melhorias urbanas, a sustentabilidade do crédito promove o crescimento sólido dos envolvidos nesse universo financeiro.

Essa analogia mostra o acesso ao crédito como uma ferramenta essencial na equação do desenvolvimento econômico, destacando a importância de sua gestão responsável para evitar problemas e promover um crescimento sustentável.

O que é sustentabilidade do crédito?

Ao contrário do que muitos imaginam, o termo “crédito sustentável” não está relacionado exclusivamente ao meio ambiente. Mas tem ligação com a forma como os recursos são utilizados para a construção de um maior bem-estar ou para reduzir danos, como endividamento, por exemplo.

O crédito sustentável está ligado diretamente à promoção de boas práticas para a utilização dos empréstimos e financiamentos com consciência e responsabilidade.

Com esse modelo de sistema, o objetivo é que seja possível manter as finanças equilibradas, sem entrar no prejuízo todo mês. Ele é fundamentado em informações, inclusive sobre inadimplência.

Para quem decide obter crédito, quanto mais informações sobre as características da operação, menores serão as chances de um grande endividamento e melhores serão as condições ofertadas pelos credores.

O crédito sustentável será eficiente, então, se quem adquiriu o empréstimo ou financiamento conseguir fazer o uso esperado dos recursos, e honrar seus compromissos. Do lado de quem concedeu o crédito, é salutar evitar dificuldades no recebimento, ou, em uma eventual renegociação, recuperar bens ou valores.

Os birôs e as funções da sustentabilidade do crédito

O crédito é fundamental para o funcionamento de qualquer economia, mas só será sustentável se for benéfico para todas as partes envolvidas. Do que adianta tomar crédito em condições incompatíveis com as condições de pagamento, prejudicando a si e ao credor?

O conceito de sustentabilidade parte do princípio de que o processo de concessão de crédito deve ser viável a longo prazo, ou seja, deve equilibrar as decisões da concessão de crédito (credor) com a capacidade de pagamento do tomador do crédito,, levando em consideração tanto os riscos financeiros das operações quanto os aspectos sociais e ambientais.

Mais do que possibilitar que consumidores tenham o usufruto do crédito para a realização de seus projetos, a sustentabilidade do crédito incentiva investimentos, potencializa a oferta de bens e serviços, impulsiona a economia, colabora para o crescimento das empresas e contribui para o bem-estar social, sem causar impactos negativos para consumidores e incentivando projetos sustentáveis ou renováveis.

Para que esse ecossistema funcione de forma “saudável”, um agente importante e imprescindível é o birô de crédito.

Os birôs disponibilizam aos concedentes de crédito informações sobre o cliente em potencial, utilizando ferramentas para a avaliação dos riscos envolvidos no processo de concessão do crédito e aos tomadores de crédito uma avaliação e análise de sua situação relativa a crédito. Com monitoramentos e análise de capacidade de pagamento, os credores podem definir as condições mais apropriadas para cada perfil de cliente, determinando ofertas de produtos específicos para cada uma delas. E os tomadores de crédito, tendo orientações, tendem a melhorar sua capacidade de tomar crédito de forma consciente.

Além disso, os birôs cuidam do monitoramento de documentos e transações, produzem alertas e relatórios, possuem sistemas antifraude e iniciativas de renegociação de dívidas.

Com todo esse arsenal de informações e com uma tecnologia sofisticada, os birôs de crédito transformam informações disponíveis em modelos aplicados, tornando a relação entre quem concede crédito e quem o toma, mais transparente e positiva. Veja, abaixo, quais são as funções do crédito sustentável:

1 – crédito alinhado com os objetivos do credor e com as condições do tomador de crédito

O volume de crédito concedido não deve exceder a capacidade de pagamento do tomador, pois pode acarretar um desequilíbrio nos orçamentos e levar à falta de pagamento dos compromissos assumidos. Uma possível inadimplência abala a confiança do mercado de crédito, afeta o resultado dos credores e prejudica a saúde financeira dos consumidores. Modelos de avaliação de crédito mais assertivos contribuem para atingir o equilíbrio dessa equação. Os birôs de crédito assumem essa função de proporcionar aos credores os melhores instrumentos para a concessão do crédito, reduzindo a inadimplência; e do lado do tomador, sempre estão presentes oferecendo consulta ao CPF e à Nota de crédito, e dicas de educação financeira.

2 – crédito que respeite a dinâmica do mercado

Um mercado de crédito sustentável ao longo do tempo é capaz de oferecer soluções que entreguem valor tanto para o credor quanto para o tomador de crédito, o que é fundamental para a manutenção de uma economia vigorosa e geração de impactos positivos na sociedade, como a criação de empregos, a inclusão financeira e a melhora do bem-estar. O mercado de crédito se modifica constantemente, as taxas de juros mudam, a inadimplência muda, a quantidade de crédito concedido varia. O mercado de crédito deve sempre se adaptar aos movimentos da economia e às oscilações do mercado, encontrando as melhores respostas para cada momento.

3 – crédito alinhado com as práticas ESG

ESG (Environmental, Social and Governance), traduzido para Sustentabilidade Ambiental, Social e de Governança Corporativa é a sigla que resume as três principais dimensões usadas para avaliar a sustentabilidade e o impacto da atividade empresarial no meio ambiente e na vida das pessoas. Quanto mais alinhado às práticas ESG estiver a oferta de crédito, mais sustentável ela será, promovendo melhor o desempenho de uma determinada empresa nessas três dimensões. Como exemplo de crédito alinhado com as práticas de ESG temos o crédito para empresas não poluentes, crédito para projetos de inclusão social e para empresas que operam com ética e transparência.

4 – crédito que fomente investimentos, produtividade e saúde financeira das empresas

Em um país com tantos desafios nos campos social, político e econômico, para elevar o crescimento potencial da economia, as questões relacionadas à capacidade de investimentos e à saúde financeira das empresas são decisivas. Como poderoso promotor do desenvolvimento econômico, é por meio do crédito que empresas e empreendedores conseguem capital para expandir seus negócios, desenvolver novos produtos e serviços e investir em tecnologia e inovação. O acesso dessas empresas a fontes de financiamento de curto e longo prazos, incrementando o capital de giro, a ampliação de capacidade produtiva e a modernização de processos, facilita os investimentos e contribui para a geração de emprego e o aumento da produtividade das empresas.

5 – crédito com segurança jurídica

Assim como em qualquer relação entre agentes econômicos, o mercado de crédito também precisa de um conjunto de regras e garantias que assegurem que os direitos e obrigações, tanto do concedente de crédito quanto dos tomadores de crédito, sejam respeitados.

A segurança jurídica no âmbito do crédito assegura que os empréstimos e financiamentos sejam resguardados por um aparato legal que gere confiança, transparência e previsibilidade, contribuindo para a constante expansão do mercado de crédito e dos investimentos. É essencial que quaisquer práticas lesivas ao mercado sejam combatidas, mantendo o ambiente mais saudável.

6 – crédito que impulsione a economia e promova o bem-estar social por meio de bens e serviços

O crédito é grande parceiro ao fornecer recursos para grandes obras de infraestrutura que incrementam o bem-estar das pessoas e das regiões. O financiamento de obras de saneamento, energia e transporte público tem um impacto enorme sobre a qualidade de vida das pessoas.

Não só para grandes obras. O crédito também pode impulsionar pequenos negócios com impacto no bem-estar das pessoas e comunidades, como linhas de crédito direcionadas a microempreendedores e pequenos negócios, o microcrédito, principalmente em comunidades de baixo poder aquisitivo. Também atua na oferta de crédito para pequenos agricultores, via crédito agrícola. Nesse contexto, o crédito pode transformar realidades e elevar o poder de compra, aumentando as chances dos pequenos empreendedores se manterem em seus negócios.

7– crédito que proteja os tomadores de crédito do superendividamento

O superendividamento é um problema crônico no Brasil, com consequências para a vida financeira, para a sociedade e para as condições de crédito, pois eleva o risco percebido pelas instituições financeiras. A aprovação da Lei 14.181/2021, de 2 de julho de 2021, chamada de Lei do Superendividamento, foi importante para a disciplina do crédito, na busca por proteger quem assumiu dívidas em excesso e só têm condições de pagá-las comprometendo suas necessidades básicas. Fato fundamental é o crédito responsável acatando as condições financeiras do tomador de crédito.

8 – crédito ancorado em legitimidade (antifraude)

As fraudes também são muito comuns no mercado de crédito. Uso de identidade falsa, clonagem de cartão de crédito, fraudes no empréstimo consignado. O setor dos birôs possui diversas soluções inovadoras voltadas para o combate às fraudes, que atendem consumidores e empresas, com ferramentas que contam com tecnologia de última geração para o monitoramento, verificação cadastral, avaliação, autenticação, entre outros serviços.

Vale ressaltar que, quanto mais informações disponíveis nesse cenário de crédito, mais segurança para todos os envolvidos no mercado: para quem concede crédito, para quem toma o crédito e para a economia.

 

 

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