Source: Mega Brasil Comunicação / TV Mega Brasil
Conseguir limpar o nome costuma ser tratado como o fim de um problema. Na prática, muitas vezes é apenas o começo. Milhões de brasileiros renegociam dívidas, retiram a restrição do CPF e, poucos meses depois, voltam a enfrentar a inadimplência.
O dado ajuda a dimensionar esse cenário. Segundo levantamento do CNDL e do SPC Brasil revela que mais de 85% das pessoas que voltaram a ficar inadimplentes já estiveram nessa situação nos últimos doze meses. O número revela que renegociar a dívida não basta. Se o comportamento financeiro não muda, o ciclo tende a se repetir. Para Elias Sfeir, presidente executivo da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), a principal explicação está na forma como o crédito passou a ser encarado por muitos consumidores. “O brasileiro incorporou o crédito como renda. E crédito não é renda. Crédito é uma concessão para uma finalidade específica.”
A frase resume uma transformação silenciosa. Em vez de recorrer ao crédito para enfrentar um imprevisto ou antecipar uma compra planejada, muita gente passou a utilizá-lo para manter despesas do dia a dia. Cartão de crédito, cheque especial, empréstimos e parcelamentos deixaram de ser instrumentos ocasionais e passaram a complementar o orçamento mensal.
O problema aparece quando as contas chegam. Como o salário continua o mesmo, a renda já nasce comprometida por parcelas antigas. Para manter o padrão de consumo, surge um novo empréstimo, um novo parcelamento ou mais uma utilização do limite do cartão. É assim que muitas famílias entram em uma sequência de dívidas da qual se torna difícil sair.
Check it out:
Read also:
Confiança no ecossistema de crédito: dos dados aos agentes inteligentes

