o impacto econômico e social do crédito

O impacto econômico e social do crédito

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O crédito é anterior ao próprio sistema financeiro moderno. Antes da moeda viabilizar as trocas, a dívida já cumpria uma função econômica central: realocar recursos no tempo entre agentes superavitários e deficitários. É essa função intertemporal que explica por que o crédito segue sendo um dos principais vetores de desenvolvimento econômico e social.

No nível individual, o crédito antecipa o consumo de bens que, de outra forma, dependeriam de longos ciclos de poupança, como bens duráveis, saúde, educação e aquisição de imóvel. No nível coletivo, viabiliza investimentos em infraestrutura, como saneamento, que exigem capital intensivo e geram externalidades positivas relevantes para a população. Para as empresas, cumpre dupla função: prover liquidez para o giro operacional e financiar investimentos produtivos que ampliam capacidade produtiva, emprego e renda.

A evidência empírica sustenta essa leitura. Como já destacamos aqui, um estudo sobre um programa de microcrédito no Nordeste brasileiro identificou que cada 1% de crescimento no volume de crédito esteve associado a um crescimento entre 0,15% e 0,29% no PIB per capita dos municípios analisados, com efeitos mais pronunciados justamente nas localidades de menor renda.

Um segundo estudo, do Bank for International Settlements (BIS), oferece identificação causal mais robusta ao explorar sorteios de consórcio para aquisição de motocicletas como fonte de variação exógena, isolando o efeito do crédito de características individuais correlacionadas. Os contemplados apresentaram, cinco anos após o acesso ao crédito, salários 8% superiores e taxa de emprego formal 8 pontos percentuais maior em relação ao grupo de comparação. O mecanismo identificado passa pela mobilidade: acesso ampliado a oportunidades de trabalho menos dependentes de transporte público.

No segmento de pessoas jurídicas, o crédito atua como mecanismo de seleção de projetos de investimento. Historicamente, essa seleção baseava-se predominantemente em critérios financeiros. Observa-se hoje incorporação crescente de critérios ambientais e sociais nos processos de análise, tanto no crédito bancário quanto no mercado de capitais.

A funcionalidade do sistema de crédito depende, estruturalmente, de confiança: toda concessão pressupõe uma expectativa de pagamento futuro, sustentada por transparência e qualidade informacional. Nesse aspecto, o Brasil tem avançado de forma consistente, impulsionado por evolução tecnológica e institucional nos sistemas de informação de crédito. Segundo dados do Banco Central, a relação crédito/PIB passou de 46,7% em janeiro de 2020 para 55,6% em julho de 2026.

O desafio adiante vai além da expansão endereçando a sustentabilidade do crédito: fortalecimento da capacidade de poupança, ampliação do letramento financeiro e estímulo comportamental ao consumo consciente. O objetivo é preservar o crédito como instrumento de ampliação de oportunidades, reforçando o bem estar econômico de pessoas, famílias e empresas.

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elias sfeir anbc

 

Por: Elias Sfeir Presidente da ANBC & Membro do Conselho Climático da Cidade de São Paulo & Conselheiro Certificado

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