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By Elias Sfeir - President of the National Association of Credit Bureaus (ANBC)
Responsáveis por quase 94% das mais de 24,1 Mi de empresas ativas no país, durante muito tempo, conseguir crédito era um desafio para as Micro, Pequenas e Médias Empresas. A análise tradicional nem sempre refletia a realidade desses negócios, limitando o acesso a recursos essenciais para crescer. Hoje, esse cenário está mudando graças à combinação de tecnologia, inovação regulatória e à atuação dos birôs de crédito, que passaram a valorizar o bom histórico de pagamentos e oferecer soluções mais justas e transparentes. Dados atualizados do setor de birôs de crédito (setembro de 2025) confirmam que o Cadastro Positivo trouxe mais de 10 milhões de registros de empresas ativas, quase na totalidade MPMEs, demostrando como a inclusão financeira está avançando no país.
Essa transformação abriu portas para um mercado mais ágil e competitivo, colocando o poder de escolha nas mãos do empreendedor. O impacto é visível: segundo dados do Banco Central, depois de recuar de maneira significativa em meados da década passada, a participação das pequenas e médias empresas no saldo de crédito corporativo voltou a crescer durante a pandemia, chegando a 46% em setembro de 2025.
As MPMEs contam com um conjunto variado de instrumentos para financiar suas operações. No credit market, as modalidades mais comuns são operações de capital de giro, cartão de crédito empresarial, antecipação de recebíveis, além de linhas específicas para investimentos e exportações. Embora o capital markets seja menos acessível para pequenas empresas, ele também oferece oportunidades para quem busca diversificar fontes de financiamento, como emissão de títulos de dívida via CRA (Certificados de Recebíveis do Agronegócio), CRI (Certificados de Recebíveis Imobiliários) e debêntures.
Somando-se a essas opções tradicionais, surgem as inovações tecnológicas que estão democratizando o acesso ao crédito. O Positive data permite que empresas com bom histórico tenham acesso a juros menores e condições mais vantajosas.
The Open Finance dá ao empreendedor controle sobre seus dados financeiros, permitindo compartilhar informações com diferentes bancos e fintechs para negociar melhores condições.
Além disso, o crescimento das fintechs de crédito, que atuam como Sociedade de Crédito Direto (SCD) or Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP), ampliou a concorrência no âmbito dos serviços financeiros. Por meio da tecnologia, essas instituições oferecem empréstimos de forma rápida, segura e com menos burocracia, permitindo ao pequeno negócio obter capital de giro em poucos cliques, sem enfrentar filas ou papelada.
Surgem ainda alternativas para o empreendedor diversificar suas formas de pagamento e ampliar suas fontes de receita para melhorar seu fluxo de caixa com antecipação de recebíveis.
The PIX trouxe agilidade para as transações, garantindo dinheiro na conta em segundos, a qualquer hora, com custo reduzido. Para poder fazer vendas a prazo, existe o Pix Parcelado, que permite ao cliente pagar em parcelas enquanto a empresa recebe o valor total à vista. Desta forma, é possível aumentar o ticket médio do cliente sem comprometer o caixa, garantindo liquidez imediata.
A Duplicata Eletrônica digitaliza os títulos de crédito usados para comprovar uma venda ou prestação de serviço a prazo, permitindo antecipar recebíveis com segurança e validade jurídica. Isso torna as operações de antecipação de duplicatas mais eficientes, possibilitando a redução do custo dessa modalidade de crédito e melhorando o fluxo de caixa das empresas.
Por ser totalmente digital desde a origem e registradas em sistemas autorizados pelo Banco Central, a versão escritural das duplicatas significa mais segurança contra fraudes, rastreabilidade e processos padronizados. O objetivo dessa Duplicata Escritural é modernizar o mercado de crédito, reduzir fraudes e trazer mais transparência às operações, permitindo que empresas registrem, acompanhem e negociem seus recebíveis de forma ágil, facilitando o acesso ao crédito. A partir do próximo ano, esse modelo escritural será obrigatório para novas operações e a previsão é que o mercado da duplicata escritural esteja em funcionamento no primeiro trimestre de 2026.
Por fim, o Banking as a Service (BaaS) possibilita que médias empresas, já com uma base de clientes consolidada e com um faturamento um pouco maior, ofereçam serviços financeiros próprios, na sua maioria, digitais, para atender de forma mais ampla às necessidades de seus clientes. Ainda pouco comum, essa tecnologia poderá ser incorporada para agregar valor e fidelizar quem compra todos os dias.
Essas inovações, somadas aos instrumentos tradicionais, criam um ecossistema mais inclusivo e competitivo para as MPMEs. O crédito, que antes era um obstáculo, agora é um motor para crescimento, inovação e expansão. O futuro é da confiança digital e da diversificação das fontes de financiamento.
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Credit indicators point to a positive and sustainable cycle in the South