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Crédito como infraestrutura global em um mundo em transformação

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Fonte: https://cantarinobrasileiro.com.br/

Por Elias Sfeir – Presidente da Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC)

crédito consolidou-se como um dos pilares centrais da economia global moderna. Mais do que financiar consumo ou investimento, ele funciona como uma infraestrutura econômica estratégica, sustentada por informação de qualidade, inteligência, governança e confiança. Em um cenário de transformações geopolíticas, inovação tecnológica e reorganização das cadeias produtivas, sistemas de crédito bem estruturados são decisivos para a estabilidade econômica, a atração de capital e o crescimento sustentável. Um desafio imediato reside no fato de que muitas economias precisarão refinanciar até metade do seu estoque de dívida pública nos próximos dois anos, exigindo uma infraestrutura de crédito robusta para absorver esses fluxos.

Esse novo papel do crédito ganha centralidade em um período de transição. Os ajustes da ordem geoeconômica emergiram como o risco global mais severo para 2026, com governos utilizando instrumentos econômicos em ajustes de interesse entre as partes. Nesse ambiente de incerteza, a informação de crédito deixou de ser um insumo operacional e passou a ocupar posição estratégica. A forma como os países governam e usam esses dados influencia diretamente a estabilidade do sistema financeiro, a eficiência da alocação de capital e a capacidade de sustentar investimentos em setores críticos, como por exemplo a infraestrutura de Inteligência Artificial.

Relatórios do Banco de Compensações Internacionais (BIS), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Fórum Econômico Mundial (WEF) convergem em um ponto central: sistemas de crédito sólidos são bases de confiança na economia. Onde há informação de qualidade, instrumentos e regras previsíveis, o risco é mais bem precificado e o capital circula com maior eficiência. O FMI projeta um crescimento global de 3,3% para 2026, desempenho que tende a ser mais consistente em países que tratam o crédito e a visibilidade de dados como ativos estratégicos para a cidadania financeira.

Nos Estados Unidos, o crédito corporativo desempenha papel central no financiamento da infraestrutura digital. Empresas conhecidas como hyperscalers (gigantes de tecnologia) têm se alavancado com recursos captados pelo canal corporativo e estruturas complexas para sustentar a expansão massiva de ativos para Inteligência Artificial. Na Europa, sistemas de crédito mais integrados buscam reduzir barreiras internas e sustentar o financiamento de pequenas e médias empresas em um cenário de crescimento moderado, projetado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) em 1,3% para 2026.

Na Ásia, o crédito se afirma como infraestrutura de competitividade. As economias emergentes asiáticas devem crescer 5,0% em 2026, impulsionadas pela mobilização de recursos para inovação tecnológica, industrial e exportações de alta tecnologia, que têm compensado a demanda doméstica mais fraca em algumas regiões. Mercados apoiados por bases sólidas de informação exibem maior estabilidade dos fluxos de capital e menor volatilidade.

Na América Latina, o Brasil destaca-se pelos avanços no ecossistema de dados. O Cadastro Positivo alcançou 82,04% de penetração na população adulta, somando mais de 179,3 milhões de registros únicos de pessoas físicas e jurídicas. Essa inclusão gera benefícios diretos: estudos do Banco Central indicam reduções médias de até 15,9% nas taxas de juros anuais para consumidores com informações positivas. Além disso, o sistema já deu visibilidade de crédito para 24,3 milhões de indivíduos e empresas que antes eram invisíveis ao mercado.

Na África Subsaariana, a região deve crescer 4,6% em 2026, acima da média mundial, impulsionada por reformas e maior integração financeira em países como Nigéria e África do Sul. O uso de dados e novos instrumentos financeiros, como os swaps de dívida para o desenvolvimento, ajuda a expandir o acesso ao crédito produtivo e a reduzir vulnerabilidades.

Apesar das disparidades regionais, o ponto de convergência é claro: informação de crédito de qualidade + inteligência + governança funcionam como infraestrutura de confiança. Sistemas bem governados fortalecem a previsibilidade das relações econômicas e sustentam o crescimento de longo prazo, conectando estabilidade, inclusão e cidadania financeira, e endereçando a desigualdade, identificada como o risco global mais interconectado para a próxima década. O crédito, portanto, consolida-se como o motor essencial para um desenvolvimento global sustentável.

 

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