Novos formatos de crédito transformam a relação do consumidor com o pagamento online, avalia ANBC

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Modalidades de financiamento de curto prazo ganham espaço no comércio eletrônico e reforçam a importância da análise de crédito, fraude e da disciplina financeira

A Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC) avalia que a evolução dos meios de pagamento e das soluções de crédito tem ampliado de forma significativa as alternativas disponíveis, principalmente, para consumidores e varejistas no ambiente digital. Entre as opções, ganha espaço o “Buy Now, Pay Later” (BNPL), ou, em bom português, “Compre Agora, Pague Depois”, que permite ao consumidor realizar a compra imediatamente e quitar o valor em parcelas, com o crédito integrado à própria experiência de compra online.

Na prática, o modelo funciona como um financiamento de curto prazo, em que a análise do crédito ocorre no momento da compra. A lógica é semelhante a um crediário, com concessão do crédito de maneira automatizada e quase imediata, integrada ao ambiente digital. Após a aprovação, define-se a forma de pagamento, e todo o processo de cobrança passa a ocorrer automaticamente.

Para Elias Sfeir, presidente da ANBC, o crescimento desse tipo de solução está diretamente ligado à oferta de uma experiência simples, segura e compatível com a realidade financeira do consumidor. “Ao integrar a análise de crédito e fraude ao momento da compra, esse formato amplia as opções de pagamento e melhora a jornada do consumidor no comércio eletrônico, desde que as decisões sejam baseadas em dados de qualidade e em critérios adequados de risco”, afirma. Esse tipo de pagamento tem ganhado espaço principalmente no varejo online, ao reduzir etapas que podem gerar atrito, como o cadastro de cartões de crédito, contribuindo para menor abandono de carrinho e aumento das conversões de vendas.

Dados do Global Payment Report, publicado pela Worldpay, apontam que esse formato movimentou US$ 342 bilhões em 2024, o equivalente a 5% do valor transacionado no e-commerce global, com maior participação em mercados como Europa (8%) e Estados Unidos (6%). Na região Ásia-Pacífico, o índice chega a 4%, com destaque para a Austrália, onde alcança 15%. Na América Latina e no Brasil, a fatia ainda é de cerca de 1%, o que indica espaço para amadurecimento. “O Brasil reúne condições favoráveis, com sistemas de informação de crédito cada vez mais robustos e um ambiente financeiro altamente digitalizado, o que favorece a evolução desse tipo de solução”, explica o executivo.

O avanço dessas soluções reforça a importância de análise de crédito e fraude ágeis, consistente e baseada em dados de qualidade. Em mercados mais desenvolvidos, observa-se ainda o avanço de atualizações regulatórias, como na União Europeia, onde novas regras devem disciplinar o funcionamento desse tipo de crédito, com foco em transparência, avaliação adequada de risco e informação clara ao consumidor.

Para a ANBC, mesmo com a incorporação de novos formatos e tecnologias, alguns princípios permanecem inalterados. “A boa análise de crédito protege o consumidor, fortalece o varejo e contribui para a sustentabilidade do sistema financeiro. O crédito pode assumir novas formas, sempre com disciplina e responsabilidade”, conclui Elias Sfeir.

 

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