Educação financeira desde os primeiros anos contribui para formar adultos mais conscientes e preparados para lidar com o dinheiro ao longo da vida
O Mês das Crianças também pode ser uma oportunidade para falar sobre um aprendizado que acompanha os pequenos por toda a vida: a relação com o dinheiro. Para a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), ensinar desde cedo conceitos como planejamento, escolhas de consumo, organização do orçamento e uso consciente dos recursos ajuda a formar jovens mais preparados para tomar decisões financeiras no futuro. Nesse processo, famílias e escolas exercem papéis complementares ao transformar situações do cotidiano em oportunidades de aprendizado e comportamento.
Dados recentes ajudam a dimensionar a importância dessa formação. Levantamento dos birôs de crédito, em agosto, aponta que 51,06% da população está inadimplente, totalizando 83,9 milhões de pessoas. Desse total, 44,1% são representados por brasileiros entre 18 e 40 anos. Em outra pesquisa, conduzida pela CNDL, em parceria com o Sebrae, 47% dos jovens entre 18 e 24 anos declararam dispensar o controle das finanças pessoais, apontando como motivos a ausência de conhecimento (19%), a falta de disciplina (18%) ou o desinteresse (18%). Além disso, estudo da Febraban com o Ipespe revela que 55% dos adultos brasileiros afirmam ter pouco (40%) ou nenhum (15%) conhecimento sobre educação financeira.
De acordo com o presidente da ANBC, Elias Sfeir, esse cenário reforça a importância de iniciar a educação financeira ainda na infância. “Quanto mais cedo crianças e jovens aprendem a lidar com os recursos disponíveis, maiores são as possibilidades de desenvolver uma relação equilibrada e consciente com o dinheiro. Inserir a educação financeira na rotina das famílias e no ambiente escolar contribui para formar adultos capazes de planejar, organizar seus orçamentos e fazer escolhas econômicas mais conscientes ao longo da vida”, afirma Sfeir.
Iniciativas desenvolvidas dentro e fora das salas de aula ajudam a ampliar esse aprendizado. Um exemplo é o programa Aprender Valor, desenvolvido pelo Banco Central do Brasil para integrar conceitos de poupança, orçamento e planejamento de forma transversal às disciplinas tradicionais do ensino fundamental, como matemática, história e geografia. O ecossistema de incentivo inclui ainda mobilizações como a Semana ENEF, no Brasil, e a Global Money Week, promovida pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em âmbito mundial.
Para a ANBC, a educação financeira na infância pode ser estimulada a partir de quatro frentes: experiências práticas no dia a dia, presença contínua do tema nos projetos pedagógicos, formação dos educadores e diálogo dentro das famílias sobre planejamento, consumo, poupança e finanças. No ambiente familiar, situações diárias podem aproximar esses conceitos financeiros da realidade das crianças e ajudar a desmistificar o uso do dinheiro. Escolhas simples, como envolver as crianças na organização de pequenas compras ou definição de passeios, conversar sobre preços e prioridades, explicar a diferença entre desejo e necessidade, ajudam a aproximar os conceitos da realidade delas. Para cada faixa etária é possível incluir uma nova atividade, que permita aprofundar o conhecimento financeiro de forma leve e lúdica.
“Educação financeira é muito mais do que ensinar a economizar. Trata-se de mostrar como fazer escolhas, estabelecer prioridades e usar os recursos com inteligência. Crianças que desenvolvem esse aprendizado desde cedo levam para a vida adulta hábitos que favorecem o equilíbrio financeiro. É uma transformação que gera benefícios para as famílias, para a sociedade e para a economia como um todo”, conclui Sfeir.
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