ANBC avalia que o mercado de crédito deve priorizar sustentabilidade e gestão do risco em 2026

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Cenário econômico mais moderado, juros em queda, mas ainda elevados, e novas modalidades de financiamento redefinem as estratégias do crédito no país

As projeções para 2026 apontam um ambiente de maior cautela para o mercado de crédito, influenciado por expectativas de crescimento econômico mais moderado e por incertezas associadas ao cenário eleitoral e ao contexto geopolítico internacional. No cenário de juros, existe a expectativa de uma redução gradual da taxa básica, mas incerteza quanto ao início do ciclo de queda. Para a Associação Nacional dos Bureaus de Crédito (ANBC), esse conjunto de fatores tende a orientar decisões mais criteriosas ao longo do ano, com atenção redobrada à concessão, à gestão do risco e à sustentabilidade das operações no país.

Para Elias Sfeir, presidente executivo da ANBC, a leitura do cenário exige ir além dos indicadores isolados e compreender como esses vetores se combinam na prática.

Segundo o executivo, o crédito passa a ser diretamente condicionado pela interação entre atividade econômica, custo do dinheiro e qualidade da informação disponível para tomada de decisão. “As projeções para 2026 indicam um ambiente em que o crescimento segue mais contido e os juros, mesmo com o início da redução da SELIC no radar, devem permanecer elevados por um período prolongado, sobretudo os juros cobrados na ponta, de consumidores e empresas. Nesse contexto, o crédito tende a ser cada vez mais orientado por inteligência no processo, com foco em equilíbrio, sustentabilidade e gestão adequada do risco. Outro ponto de atenção para 2026 são sinais de aumento de inadimplência e recuperação judicial no Agro, setor que representa 25% do PIB”, afirma Sfeir.

As estimativas do Boletim Focus apontam crescimento de 1,8% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, abaixo do ritmo observado nos últimos anos e inferior à média global projetada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), de 3,1%. Esse desempenho reflete os efeitos do ciclo de aperto monetário, que levou a taxa Selic a 15,0% ao ano e segue influenciando o nível de atividade e o custo do crédito. No campo da inflação, as projeções indicam continuidade do processo de acomodação. O IPCA deve encerrar 2026 com variação de 4,05%, resultado acima do centro da meta, porém abaixo do teto.

Já as projeções do Banco Central indicam crescimento de 8% no saldo das operações de crédito em 2026, com expansão de 8,3% nas operações com pessoas físicas e de 7,4% no crédito às empresas. Ainda que em ritmo mais moderado do que nos anos anteriores, o crédito segue relevante para a atividade econômica.

Ao mesmo tempo, esse movimento ocorre em um ambiente que exige atenção redobrada à inadimplência e ao nível de endividamento, especialmente diante da expansão de modalidades como o novo crédito imobiliário, o consignado privado e as operações de antecipação de recebíveis estruturadas por duplicatas escriturais. Estimativas do Banco Central apontam potencial injeção de até R$ 36,9 bilhões no crédito imobiliário, reforçando a necessidade de avaliar a sustentabilidade dessas operações.

Para Sfeir, a combinação entre crescimento mais criterioso e juros elevados torna a gestão do risco ainda mais central. “A evolução do crédito em 2026 dependerá de informações confiáveis e avaliação segura do comportamento de consumo para equilibrar expansão, controle da inadimplência e sustentabilidade do sistema financeiro, fortalecendo um ambiente mais seguro para consumidores e empresas”, finaliza o executivo.

 

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