Cresce busca por competências sustentáveis entre profissionais do setor financeiro do Brasil

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Fonte: Sua Vaga, por LinkedIn NotíciasReportagemJoao Jose OliveiraEdiçãoGuilherme Odri e Akash Kaura

 

A preocupação com o impacto ambiental da atividade econômica tem ganhado relevância no setor financeiro do Brasil. De um lado, cresce a busca, entre os clientes dos mercados bancário, de investimentos e de crédito, por instituições e empresas que estejam alinhadas com políticas de sustentabilidade ambiental, social e de governança, ou ESG, da sigla em inglês desses termos.

De outro lado, respondendo a essa crescente demanda, órgãos reguladores e entidades representativas estão construindo as referências normativas para organizar regras que definam os padrões para implementação, monitoramento e divulgação dessas iniciativas.

Essa conjuntura está criando no mercado brasileiro uma crescente busca por profissionais cujo perfil inclua as competências sustentáveis, ou green skills, do inglês, que também são conhecidas no mercado como competências verdes.

No Brasil, assim como acontece em outras partes do mundo, o setor financeiro não está entre as atividades econômicas com maiores indicadores de competências sustentáveis entre seus profissionais, mas tem se destacado por apresentar um crescimento mais acelerado dessas atribuições no universo de trabalhadores.

É o que revelam dados do relatório do Global Green Skills Report de 2023, elaborado pelo LinkedIn.

 

competências sustentáveis

 

 

Competências sustentáveis no mercado

Todos esses processos – demanda crescente de clientes por negócios preocupados em minimizar impacto ambiental, regulação dessas iniciativas e surgimento de vagas para atender a esses processos – estão ocorrendo no Brasil de forma simultânea.

Por isso, ainda há carência de trabalhadores que tenham entrado no mercado de trabalho já com um perfil de carreira focado nessas habilidades verdes, dizem especialistas que falaram com o LinkedIn Notícias para esse artigo.

É por isso, portanto, que existe a expectativa de que a abertura de vagas para esses perfis siga aquecida no mercado financeiro brasileiro.

Entre as habilidades mais procuradas no mercado financeiro estão competências que possam responder por tarefas e processos, como:

  • Sistemas de Gestão Ambiental,
  • EHS (sigla em inglês para Ambiente, Saúde e Segurança),
  • Auditoria Ambiental,
  • Relatórios de Sustentabilidade,
  • Leed (Liderança em Energia e Design Ambiental),
  • Relatórios de Pegada de Carbono,
  • Avaliação do Ciclo de Vida, Segurança de Radiação,
  • EIA (do inglês Avaliação de Impacto Ambiental).

A solução das empresas para preencher essa lacuna tem passado pela busca de pessoas com uma formação híbrida, em que o profissional agrega essas novas competências àquelas originais de suas formações.

 

 

Setor financeiro atrás da curva

No cenário global, o Global Green Skills Report revela que o percentual médio de profissionais com green skills em todos os setores fica na casa dos 12,3% — ou um em cada oito trabalhadores têm essas habilidades sustentáveis — , enquanto no setor financeiro, essa fatia cai para 6,84%, ou um em cada 15 trabalhadores.

No Brasil, o percentual médio de profissionais com os chamados green skills é de 5,92%, ante uma taxa média de 13% na economia brasileira, indicador puxado para cima pelas áreas da indústria agrícola (39.07%), da construção civil (38.86%) e de óleo e gás (16.45%).

Segundo especialistas, um dos principais motivos pelos quais o setor financeiro está devendo em termos de vagas e contratações de profissionais com habilidades verdes é o fato de o setor ter um modelo de negócio com menores impactos ambientais diretos que os provocados por outros setores como os de óleo, gás e mineração, de construção civil ou de agropecuária.

Mas o setor financeiro tem acelerado o passo na busca por esses profissionais. A presença de habilidades sustentáveis cresceu 15% no mundo em 2022, mais que a taxa média de avanço de 12,3% apurada entre os trabalhadores em toda a economia.

E em termos da participação de contratações de profissionais no cenário global para posições que demandam habilidades ecológicas em finanças aumentou no mundo em 11,6% de 2021 a 2022.

 

 

No mercado brasileiro, o cenário é semelhante. O crescimento da demanda por esses atributos entre os profissionais do setor financeiro atingiu 12,39%, ante taxa de 11,4% na média da economia geral.

Dentro do setor financeiro no Brasil, a participação das vagas que demandam habilidades sustentáveis no total de vagas abertas dobrou, de 2021 para 2022, subindo de 0,44% para 0,89% do total das posições anunciadas.

Desde 2016, a taxa média anual de crescimento de vagas que pedem green skills no setor financeiro brasileiro é de 14,61%, o que representa variação superior à taxa média mundial, de 6,59% no setor financeiro global.

 

 

Demandas de mercado

Segundo os profissionais de mercado que conversaram com o LinkedIn Notícias para esse artigo, isso está acontecendo em parte porque tem crescido o interesse dos clientes do setor financeiro por produtos e serviços oferecidos por empresas e projetos que tenham atenção aos impactos ambientais.

Tanto que os investimentos de impacto socioambiental cresceram 60% ano passado no Brasil, para perto de R$ 20 bilhões, segundo dados levantados pela a ANDE (Aspen Network of Development Entrepreneurs).

Mas para acompanhar esse avanço, o setor financeiro precisa de regras claras que definam o que são esses investimentos, projetos e iniciativas que atendem considerações sobre os impactos ambientais provocados, dizem especialistas.

 

É por isso que órgãos reguladores e entidades do setor financeiro estão se mexendo.

A CVM (Comissão de Valores Mobiliários), órgão regulador do mercado brasileiro de capitais, por exemplo, incluiu no novo Marco Regulatório dos Fundos de Investimento normas para a utilização de termos correlatos às finanças sustentáveis na denominação aos fundos, cujas políticas de investimento busquem originar benefícios ambientais.

Já a Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) lançou um guia para orientar as instituições financeiras na oferta pública de títulos de renda fixa relacionados aos critérios ESG.

E o Banco Central, que regula as instituições financeiras, colocou em consulta pública proposta normativa que estabelece regras para a divulgação de informações sobre riscos sociais, ambientais e climáticos pelas instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Segundo especialistas, esse movimento é importante porque as definições de regras claras e da taxonomia são fatores que podem acelerar a contratação de profissionais com habilidades verdes no setor financeiro, uma vez que criam maior segurança jurídica e transparência para esses processos.

 

 

No Brasil, a taxa de penetração relativa das habilidades ambientalmente sustentáveis no setor de finanças ficou em 1,63 ponto, a 7ª posição numa lista de 15 países – sendo a maior taxa a de Singapura (4,94) e a menor a do Canadá, com 0,25, segundo o Global Green Skills Report.

Essa taxa mede o número médio de habilidades sustentáveis detidas pelos profissionais do setor, considerando uma média a partir da quantidade de habilidades que cada trabalhador possui.

 

 

 

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