Crédito para as pequenas empresas e a “lição de casa” do empresário

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Com alguma frequência utilizo este espaço para tratar do crédito às  micro e pequenas empresas, que são uma força importante da economia.

Neste artigo, procuro alertar o pequeno empresário, que já acumula diversas funções na empresa, a preparar-se também para a tomada de crédito. Por vezes, os líderes de pequenas empresas atribuem a falta de crédito exclusivamente à recusa dos credores, e é fundamental pensar nos motivos que tornam as instituições financeiras mais cautelosas na oferta de crédito aos pequenos negócios.

Um estudo do Banco Mundial de 2017 e atualizado em 2018 e 2019 com uma amostra de 126 países em desenvolvimento, dentre eles o Brasil, relata alguns motivos dessa cautela. Por exemplo, a informalidade, a falta de confiança nos dados reportados pelos potenciais tomadores de crédito e a falta de garantias que mitiguem o risco percebido por essas instituições.

A boa notícia é que há como alterar esse quadro. Da parte dos credores, há diversos métodos de avaliação de risco, muitos deles oferecidos pelos birôs de crédito, com foco na pequena empresa e considerando as peculiaridades desse porte de negócios.

Do outro lado da mesa, o pequeno empresário precisa se olhar como agente da cadeia de crédito e, portanto, entender suas responsabilidades numa possível recusa. Uma dessas responsabilidades é fazer uma “lição de casa” que responda às seguintes questões:

●      Finalidade do crédito: quando abordados sobre a finalidade do crédito, muitos empresários demonstram falta de clareza. É investimento? É giro? Para cada finalidade haverá uma modalidade mais indicada, e o credor precisa perceber que o tomador de crédito tem isso claro.

●      Validar a real necessidade: hora de olhar para dentro do negócio e validar se de fato o crédito é a única opção. Ou pode haver, por exemplo, dinheiro “parado” na forma de estoques ou de recebíveis atrasados.

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●      Fazer a própria análise de crédito: por um instante, pense como o credor que irá avaliar se a empresa conseguirá gerar as receitas necessárias para cobrir outros custos e despesas, além da amortização e juros do empréstimo. Crédito é baseado em confiança. Verificar e acompanhar sua nota de credito e trabalhar para mantê-la alta através de comportamentos responsáveis sobre crédito.

●      Projeções para quitação: para aumentar as chances de aprovação, o empresário deve demonstrar como irá gerar receitas para quitar o empréstimo. Um plano de negocios, projeção de faturamento e resultados financeiros projeção de faturamento são bem-vindos nessa etapa.

●      Garantias: nesse quesito, vale consultar a possibilidade de contratar com o aval de fundos garantidores de empréstimo, que complementam a garantia dada pelo empresário. Um exemplo é o FAMPE, do SEBRAE, ou o FGO, do Banco do Brasil.

●      Buscar o melhor Credor: Nem sempre o banco que a empresa tem em suas operações e relacionamento é a melhor opção de emprestimo. Verificar programas do governo, cooperativas, fintechs e market place de crédito antes de tomar decisão.

●      Auxílio Profissional: buscar uma assessoria profissional na hora de contratar um empréstimo pode ser uma boa opção. Há empresas que oferecem esse serviço aos pequenos negócios, auxiliando na busca por opções mais baratas e rentáveis. Além das consultorias, há órgãos que disponibilizam a informação na internet, como NAC (@cni-brasil), @SEBRAE e @Banco Central do Brasil, entre outros.

●      Se preparar par burocracia: a documentação exigida é importante para o credor conhecer melhor a quem está emprestando recursos. Disponibilizar documentos da empresa, de sócios, declaração de pagamento de impostos e outros pode facilitar a busca por crédito.

Com a lição de casa feita, as pequenas empresas podem ter acesso aos inúmeros canais de crédito que surgem com a digitalização dos serviços financeiros. Por exemplo, os marketplaces de crédito, os novos meios de pagamento e os modelos de analytics baseados em dados alternativos, como os dados gerados em redes sociais. Os desafios enfrentados pelas pequenas empresas vêm de longa data, mas a obtenção de crédito pode deixar de ser um empecilho e se transformar em facilitador para a retomada e para o crescimento.

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