Crédito é “tech”: as implicações da digitalização

Por Elias Sfeir
Presidente Executivo-ANBC e Conselheiro Certificado-Promovendo a Disciplina de Crédito e Governança Corporativa-Brasil

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Na hora de solicitar uma corrida, fazer uma reserva, pedir comida, ouvir música ou ler o noticiário, é provável que você faça de um jeito diferente do que fazia há alguns anos. Tudo isso ficou mais fácil e, literalmente, ao alcance da mão. O fenômeno da digitalização também chegou ao mercado de crédito e de meios de pagamento. E veio para ficar.

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As chamadas “fintechs”, instituições financeiras que fazem uso intensivo de tecnologia e oferecem seus serviços por meio de plataformas online, atraem um número cada vez maior de usuários no Brasil e no mundo, prometendo melhor experiência para o cliente. Mas o impacto social da inovação financeira pode ir muito além da redução da burocracia.

A digitalização também limita os custos de transação, incentiva a concorrência e será um vetor importante da democratização desses serviços. É o que sugerem as evidências. Uma publicação do “Bank of International Settlements” apontou, recentemente, que o uso da tecnologia tem contribuído para elevar a inclusão financeira e o acesso crédito ao redor do mundo.

A Índia desponta com um dos principais “cases” de sucesso. Com a segunda maior população do mundo, o país criou uma formidável infraestrutura para digitalizar a identificação pessoal e o compartilhamento de dados. Como resultado, o percentual de “bancarizados” passou de 35%, em 2011, para 80%, em 2017, segundo dados do Banco Mundial. Na China, as transações experimentam uma verdadeira revolução digital. A principal plataforma de pagamentos do país registra mais de 1 bilhão de usuários, pagando e transferindo recursos pelo celular.

O Brasil também promove avanços. Como parte da Agenda BC#, do Banco Central, a conquista mais recente foi a aprovação do PIX, novo sistema de pagamentos instantâneos. Com ele, pagamentos e transferências poderão ser feitos 24 horas por dia e sete dias por semana. Quem recebe, seja pessoa física ou jurídica, terá os recursos à disposição em poucos segundos, sem qualquer custo para as pessoas físicas, e por um custo muito menor para as empresas. Dados da Febraban mostram que, em 2019, o número de transações por celular e internet banking já representava quase 60% do total de transações. Com as facilidades do PIX, esse número deve aumentar ainda mais.

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O Brasil também promove avanços. Como parte da Agenda BC#, do Banco Central, a conquista mais recente foi a aprovação do PIX, novo sistema de pagamentos instantâneos. Com ele, pagamentos e transferências poderão ser feitos 24 horas por dia e sete dias por semana. Quem recebe, seja pessoa física ou jurídica, terá os recursos à disposição em poucos segundos, sem qualquer custo para as pessoas físicas, e por um custo muito menor para as empresas. De acordo com Robson Dantas, diretor-executivo do BS2, a expectativa é de que, em cinco anos, o PIX represente 15% do total de transações eletrônicas do banco.[AG1]

A pandemia mostrou como um sistema de pagamentos desenvolvido pode ser importante: beneficiários do Auxílio Emergencial puderam dispor dos recursos por meio de um cartão virtual, o que facilitou o acesso. Segundo a Caixa Econômica Federal, mais de 40 milhões de contas digitais foram criadas para o depósito do auxílio. O distanciamento social também acabou estimulando a educação digital entre os idosos e a população menos favorecida – grupos que, em tese, têm menos acesso às inovações. Certamente, essa mudança fará parte do “novo normal”.

No âmbito do crédito, merecem destaque as plataformas de empréstimos “peer-to-peer”, que permitem a pessoas físicas emprestar recursos, pela internet, a pequenos negócios, capilarizando o crédito geograficamente. Seguindo uma tendência do varejo, o surgimento do “marketplace” de crédito também favorece o tomador de crédito por estimular a competição no sistema financeiro e possibilitar que os consumidores tomem decisões mais conscientes, graças à comparação entre diferentes ofertas. Outro destaque, para as empresas que recorrem à antecipação de recebíveis, é a criação da duplicata eletrônica, que deverá tornar esse tipo de empréstimo mais ágil e menos suscetível a fraudes, beneficiando o credor e o tomador de crédito.

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Apesar das inovações, os princípios do crédito permanecem os mesmos, e tão importantes quanto antes. Para quem concede crédito, a necessidade de uma análise criteriosa continua a mesma, sob o risco de que a inadimplência cresça; para quem toma emprestado, as decisões devem estar, como sempre, amparadas na boa educação financeira, um tema que, felizmente, vem ganhando bastante notoriedade.

Quando os primeiros cadastros de devedores surgiram, o armazenamento dos dados era físico e a checagem, manual. Na esteira do avanço tecnológico e das comunicações, isso também mudou. Agora, as consultas são instantâneas e podem ser customizadas de acordo com as necessidades dos consulentes.

Alinhados com a tendência de digitalização dos serviços financeiros, os birôs de crédito passaram a disponibilizar as informações pessoais de crédito pela internet, de forma rápida para os agentes de crédito e gratuita para os consumidores. A medida confere mais um estímulo para que os consumidores acompanhem a própria situação.

Há dez anos, alguém que conseguisse imaginar todas essas novidades estaria bem à frente do seu tempo. Mas todos esses avanços só farão sentido se trouxerem um crescimento sustentável, e não artificial, do crédito. Com um enorme contingente de “desbancarizados” e com um saldo de crédito perto de 50% do PIB, existe muito espaço para que o crédito cresça e apareça no Brasil.

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