como está a saúde financeira do brasileiro

Como está a saúde financeira do brasileiro?

Compartilhe:

Siga no Google Notícias

 

No último artigo, refletimos sobre a importância da educação financeira na grade escolar e destacamos que esse assunto deve ter espaço também fora das escolas, incluindo o ambiente familiar e até mesmo nas empresas. Os problemas financeiros podem, afinal, impactar o bem estar social e até mesmo a produtividade no trabalho. Ao redor do mundo, diversas iniciativas surgiram nos últimos anos para engajar o tema, unindo entes públicos e privados num esforço de conscientização.

Em 2020, a Federação Brasileira dos Bancos (FEBRABAN) lançou o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB). O setor dos birôs de crédito foi convidado como um dos membros do grupo técnico de desenvolvimento da plataforma e revisão do novo índice. O I-SFB foi construído com base em protocolos internacionais, como o “Financial Well Being Scale”, do Consumer Protection Financial Bureau (CFPB), entre outros.

Partindo dessas experiências, rodadas de pesquisa e estudos buscaram adaptar os protocolos internacionais à realidade brasileira. O modelo resultante analisa cinco dimensões da vida financeira: a liberdade, que mede se a forma como o indivíduo lida com dinheiro lhe permite ter opções na vida; a segurança, que avalia se a vida financeira é fonte de estresse e preocupação; a habilidade, que mensura a capacidade de entender informações importantes para a vida financeira; o comportamento, que avalia a disciplina e o controle do indivíduo; e a proficiência, entendida como uma combinação da habilidade e do comportamento.

Cada dimensão é avaliada a partir de três perguntas. As respostas geram uma pontuação e o resultado varia de zero a 100. Quanto mais próximo de 100, maior a saúde financeira do indivíduo. A depender da pontuação, os indivíduos são também classificados em diferentes categorias. No nível considerado “Ótimo”, a avaliação é de que o indivíduo tem uma vida sem estresse financeiro e as finanças proporcionam segurança e liberdade; no nível considerado “Ok”, as finanças estão equilibradas, porém no limite, havendo espaço para erro. Na outra ponta, no nível considerado “Ruim”, observa-se grande fragilidade financeira, estresse e desorganização.

Faixas de saúde financeira

como está a saúde financeira do brasileiro1
Fonte: Febraban

Na sondagem de 2023, a pontuação média do brasileiro foi de 56,2, o que colocaria o brasileiro “médio” no nível da “baixa saúde financeira”. Nessa classificação, há os primeiros sinais de desequilíbrio e o risco de entrar em estresse financeiro. Entre os principais resultados, destacam-se o fato de que 50% afirmaram vivenciar algum tipo de aperto financeiro; 74% afirmaram mais ou tanto quanto ganham e 68% afirmaram não ter segurança sobre o futuro financeiro.

Na comparação com o resultado de 2022, que foi de 56,0 pontos, constatou-se praticamente uma estagnação da saúde financeira do brasileiro.     A despeito da melhora dos indicadores conjunturais de renda e emprego, observou-se ainda a persistência do endividamento, que só apresentou um discreto recuo na segunda metade do ano. A construção de uma série histórica permitirá acompanhar o impacto das ações de educação financeira sobre a saúde financeira dos brasileiros, enriquecendo a análise dos dados conjunturais de renda e emprego.

Além do objetivo macro, de permitir uma avaliação agregada dos brasileiros, a ferramenta também cumpre o papel de orientar os indivíduos. O diagnóstico da própria saúde financeira pode ser feito no site do Índice por qualquer pessoa, o que permite a identificação de eventuais vulnerabilidades financeiras. A iniciativa se soma aos esforços dos birôs de crédito para disponibilizar as consultas individuais de modo online, completando a etapa do diagnóstico financeiro. Essas consultas possibilitam a identificação de dívidas em atraso e facilitam o processo de renegociação dos débitos, além de oferecerem uma outra nota baseada no histórico de crédito – a nota de crédito.

É verdade que as mudanças comportamentais, como as buscadas através da disseminação da educação financeira, levam tempo para maturar. No entanto, elas serão essenciais para garantir o que o uso do crédito proporcione o desejado bem-estar.

Linkedin

 

Obrigado pela leitura! Acesse outros conteúdos na página da ANBC.

 

elias sfeir

 

Por: Elias Sfeir Presidente da ANBC & Membro do Conselho Climático da Cidade de São Paulo & Conselheiro Certificado

 

 

Você pode gostar:

tributação
Por que a inadimplência e a tributação interferem no spread bancário?

Siga no Google Notícias Hoje temos cerca de 62 milhões de brasileiros inadimplentes,...

custo do crédito
Caminhos para redução do custo do crédito

Siga no Google Notícias De olho nas expectativas de inflação e no comportamento...