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A análise de crédito no sistema financeiro aberto

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O que seus dados podem fazer por você? No mercado de crédito, as operações estão associadas a algum nível de risco, que pode ser avaliado como maior ou menor, baseado nas informações à disposição da análise de crédito. Quanto menor a percepção de risco, melhores são as condições do crédito.

Recentemente, dois instrumentos foram criados para permitir que tomadores de crédito negociem operações de crédito mais justas com base naquilo que eles têm para mostrar: o Cadastro Positivo e o Open Finance. No Brasil, ambos foram desenvolvidos como parte do esforço de modernização do mercado de crédito. Cada um tem seu propósito e, quando somados, potencializam a sustentabilidade do crédito.

O Cadastro Positivo é um instrumento para análise de crédito mais justa. Por reunir informações de pagamentos feitos a diversos setores além do financeiro, como às concessionárias de energia, telecomunicações, saneamento e gás, ele tem uma base de dados mais completa, que inclui obrigações pagas, além de eventuais contas pendentes. Ao reunir informações que vão além do setor financeiro, o Cadastro Positivo dá visibilidade aos invisíveis potencializando a operação de crédito.

O Open Finance é uma ideia mais recente, baseada na criação de uma infraestrutura para o compartilhamento de dados cadastrais e transacionais de clientes, com um pressuposto muito claro e inegociável: os dados só podem ser usados com o consentimento do titular desses dados. O primeiro modelo surgiu no Reino Unido em 2018 e, desde então, vem sendo gradualmente adotado em vários países.

A União Europeia assumiu a vanguarda, e outras regiões avançam na regulamentação do chamado sistema financeiro aberto. Como destaca o relatório “The Open Finance Index”, esse é um fenômeno global. O estudo acompanhou a experiência de 23 países que já deram os primeiros passos na implementação do ecossistema “Open”, incluindo o Brasil. Na Europa, o Reino Unido mantém a liderança, seguido por países como França, Alemanha, Espanha e Holanda.

Na América Latina, o Brasil desponta como um caso promissor. O documento destaca o fato de que, no primeiro ano, o país registrou a marca de 5 milhões de conexões – algo que o Reino Unido levou cinco anos para alcançar. Em fevereiro de 2023, o Brasil alcançou cerca de 22 milhões de consentimentos, 15 milhões de clientes com participação de mais de 800 instituições.  Por esse feito, o levantamento afirma que o caso brasileiro merece ser acompanhado de perto nos próximos anos. Inicialmente chamado de Open Banking, esse ecossistema foi rebatizado como Open Finance para dar conta da ampliação do seu escopo, que passou a englobar os serviços de seguros, investimentos e operações de câmbio.

Outros países latino-americanos, além do Brasil, cuidam da implementação do ecossistema. O estudo destaca o México, com uma regulação robusta sobre as fintechs, e diz esperar avanços naquele país em 2023. Colômbia, Chile e Argentina dão os primeiros passos na mesma direção.

Entre os serviços promovidos sob o sistema financeiro aberto, destacamos o desenvolvimento de marketplaces e comparadores de propostas de crédito, além de consolidadores de informações bancárias voltados para o controle financeiro de consumidores e empresas. Nos meios de pagamento também há novidades: já é possível realizar transferências do saldo de um banco utilizando o aplicativo de outro banco, por exemplo. E as possibilidades são inúmeras, ainda inimagináveis no dia de hoje.

As novidades do Open Finance facilitam as transações financeiras, funcionam como um instrumento poderoso de negociação das condições de crédito e têm um efeito limitado para reduzir a assimetria de informação estimulando a competição sadia trazendo eficiência e eficácia. Afinal, é sempre o titular dos dados quem determina o que compartilhar e com quem compartilhar. A análise de crédito deve se basear em um conjunto de informações mais amplas do que as que fluem pelo Open Finance, por meio de instrumentos tradicionais, como os dados negativados, e de instrumentos novos, como o Cadastro Positivo e serviços derivados dessas bases de dados.

Evidenciando a complementaridade dos instrumentos, dados do setor de birôs de crédito mostram impacto positivo na capacidade de pagamento dos consumidores estimada com base na combinação entre as informações dos birôs  e do Open Finance. No Brasil, o sistema aberto pode incluir cerca de  4,6 milhões de pessoas no mercado de crédito e injetar R$ 760 bilhões na economia. Essa melhora das estimativas pode levar a uma ampliação da oferta de crédito.

Desenvolvidos no mesmo contexto de modernização do mercado de crédito brasileiro, o Cadastro Positivo e o Open Finance, quando combinados, favorecem a competição e possibilitam uma análise de crédito mais precisa. Esses instrumentos atuam como incentivo para um comportamento saudável de crédito, premiando a pontualidade nos pagamentos. A síntese é que, com o desenvolvimento do mercado de crédito, seus dados já podem fazer bastante por você e farão cada vez mais.

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elias sfeir

 

Por: Elias Sfeir Presidente da ANBC & Membro do Conselho Climático da Cidade de São Paulo & Conselheiro Certificado

 

 

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